Crítica | Puro-Sangue (Thoroughbreds, 2018)

Anya Taylor-Joy e Olivia Cooke planejam assassinato no filme de estreia do diretor e roteirista Cory Finley


Anya Taylor-Joy e Olivia Cooke em imagem do filme 'Puro-Sangue'


Puro-Sangue é o primeiro filme do diretor e roteirista Cory Finley. É também um dos últimos trabalhos do ator Anton Yelchin, que morreu em 2016. Depois de receber diversos elogios durante suas exibições em festivais de cinema, o estiloso suspense psicológico com toques de humor-negro finalmente teve seu lançamento oficial. E posso dizer que os elogios são merecidos.

A trama acompanha duas amigas de infância pertencentes à elite de Connecticut, que se reencontram depois de anos separadas. Lily (Anya Taylor-Joy, de A Bruxa) é uma garota aparentemente sensível, que reprime suas emoções. Amanda (Olivia Cooke, da série Bates Motel) é literalmente insensível, mas aprendeu a imitar as emoções humanas. Apesar das diferenças, as duas têm algo em comum: são incrivelmente inteligentes. E elas vão se unir para bolar um plano de assassinato.

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O filme tem uma direção elegante. O cenário da mansão é luxuoso mas também sombrio e opressor. Os enquadramentos são precisos. A câmera constantemente passeia em longas sequências por todos os cômodos e corredores, como se a casa fosse uma extensão da personalidade das duas protagonistas. Enquanto isso, a deliciosa trilha sonora de Erik Friedlander cuida de conferir um efeito hilário à cenas.

Anton Yelchin em imagem do filme 'Puro-Sangue'




















O roteiro de Finley é inteligente. Há muitos diálogos minimalistas. A trama de assassinato é o que move o filme, mas o ponto forte é mesmo o estudo de personagens. Puro-Sangue trás influências de Atração Mortal, de Psicopata Americano e até do cinema de Hitchcock. Mas Finley certamente tem um estilo próprio muito forte.

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Não vou falar muito sobre as protagonistas, porque o divertido aqui é ir aprendendo através do relacionamento das duas. Mas Anya Taylor-Joy e Olivia Cooke estão maravilhosas, e conseguem transformar cada cena em algo especial. Paul Sparks e Francie Swift têm uma participação menor nos papéis dos pais de Lily. E Yelchin surge como um traficante de drogas tem tem enorme importância para o desenvolvimento da história.


Olivia Cooke e Anya Taylor-Joy em imagem do filme 'Puro-Sangue'


Muitos poderão ficar incomodados com seu ritmo lento do filme, com a insistência do diretor em manter a violência sempre implícita ou mesmo com o final, onde muitas coisas importantes deixam de ser ditas. Algumas dessas decisões também me incomodaram. Mas Puro-Sangue é o tipo de filme onde os detalhes são mais importantes do que as palavras. Quem ficar atento às entrelinhas certamente vai se divertir com ele.

Título origina; Thoroughbreds.
Gênero: Suspense.
Produção: 2017.
Lançamento: 2018.
País: Estados Unidos.
Duração: 92 minutos.
Roteiro: Cory Finley.
Direção: Cory Finley.
Elenco: Olivia Cooke, Anya Taylor-Joy, Anton Yelchin, Paul Sparks, Francie Swift, Kaili Vernoff.

O melhor: Direção elegante, roteiro inteligente, ótimas atuações.
O pior: Exige que o público fique atento às entrelinhas. Mas isso não é ruim!
A trilha sonora sozinha: Me fez dar algumas risadas.

Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

1 Comentários

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  1. O filme é bom mas o problema é o ritmo que é muito lento e parado que deixa a história do filme parecer muito simples mas gostei da atuação dos atores

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