O capítulo mais fraco desde 'Pânico 3'
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| 'Pânico 7": Ghostface voltou, e Sidney terá uma semana ruim. Foto: © 2025 PARAMOUNT PICTURES |
Quando Pânico 7 foi anunciado, o que deveria ser apenas mais um capítulo de uma das franquias mais autoconscientes do terror rapidamente se transformou em um estudo de caso sobre crises de bastidores. A saída de Melissa Barrera, seguida pela debandada de Jenna Ortega e pela ausência dos diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, deixou o projeto à deriva. Em resposta, os produtores recorreram àquilo que restava de mais sólido: o legado. O retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott e a ascensão de Kevin Williamson à cadeira de diretor sugeriam um resgate das origens ou, no mínimo, uma tentativa de contenção de danos.
O novo Pânico parte de um ponto familiar: Sidney, agora vivendo em Pine Grove, Indiana, tenta manter uma vida estável ao lado do marido Mark, interpretado por Joel McHale, e da filha adolescente Tatum, vivida por Isabel May. Naturalmente, o passado se recusa a permanecer enterrado, e não demora para que um novo Ghostface dê início a mais uma série de assassinatos. A diferença é que, dessa vez, a suposta identidade do vilão não demora para ser revelada, sugerindo o retorno de outro personagem muito conhecido da franquia.
A abertura, tradição quase sagrada da franquia desde o original de 1996 dirigido por Wes Craven, cumpre seu papel com competência moderada. A participação de Jimmy Tatro e Michelle Randolph entrega uma sequência carregada de nostalgia e com ao menos uma morte criativa, ainda que distante do impacto icônico de aberturas anteriores. Não é memorável, mas também não compromete. Uma descrição que, infelizmente, se aplica a boa parte do filme.
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| Tatum (Isabel May) e suas amigas sem graça em 'Panico 7'. Foto: © 2025 PARAMOUNT PICTURES |
Se há um elemento que se mantém consistente, é a brutalidade dos ataques de Ghostface. Seguindo a linha mais agressiva adotada a partir de Pânico 4, o longa investe em cenas de violência mais cruas e diretas, o que ajuda a sustentar algum nível de tensão. Curiosamente, a tradicional metalinguagem é reduzida, aproximando Pânico 7 de um slasher mais convencional, uma escolha que pode agradar parte do público, mas que também dilui uma das características mais distintivas da série.
Mas o problema central de Pânico 7 reside no desequilíbrio tonal. O drama familiar envolvendo Sidney e Tatum nunca encontra relevância suficiente para justificar o tempo de tela que ocupa, enquanto temas contemporâneos, como o uso de inteligência artificial, são introduzidos de maneira superficial, sem impacto narrativo real. O resultado é um roteiro que parece constantemente dividido entre o desejo de atualizar a franquia e a incapacidade de desenvolver suas próprias ideias.
Essa fragilidade é agravada por um elenco jovem notavelmente desinteressante. Os novos personagens carecem de identidade e autenticidade, falhando em soar ou se comportar como adolescentes reais. O retorno de Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding, reprisando seus papéis como Mindy e Chad, apenas evidencia o problema: deslocados, os dois continuam operando em um registro cômico que entra em conflito direto com a tentativa de construir urgência e tensão, sabotando momentos que deveriam ser decisivos.
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| Sidney (Neve Campbell) está pronta para a batalha em 'Pânico 7'. Foto: © 2025 PARAMOUNT PICTURES |
Quando o filme finalmente chega ao seu clímax, qualquer resquício de envolvimento já foi comprometido. O ato final se desenrola como uma sucessão de conveniências narrativas, exigindo do espectador um nível de suspensão de descrença que beira o absurdo. Situações implausíveis, como a completa ausência de reação de uma vizinhança diante de gritos desesperados em plena rua, minam de vez a imersão, transformando o desfecho em um exercício de frustração.
Pânico 7 não chega a ser um desastre absoluto, mas representa um ponto baixo para uma franquia que sempre se destacou por sua inteligência e autoconsciência. O filme acaba se tornando o capítulo mais fraco desde Pânico 3, um resultado particularmente decepcionante para uma série que já provou, mais de uma vez, ser capaz de se reinventar sem perder sua essência.
Nota: 5,5/10
Título Original: Scream 7.
Título Nacional: Pânico 7.
Gênero: Terror.
Produção: 2026.
Lançamento: 2026.
País: Estados Unidos da América, Canadá.
Duração: 1 h 54 min.
Roteiro: Kevin Williamson, Guy Busick, James Vanderbilt.
Direção: Kevin Williamson.
Elenco: Neve Campbell, Courteney Cox, Isabel May, Jasmin Savoy Brown, Mason Gooding, Roger Jackson, Anna Camp, Joel McHale, Celeste O'Connor, Sam Rechner, Asa Germann, Mckenna Grace, Matthew Lillard, Kraig Dane, Ethan Embry, Mark Consuelos, Victor Turpin, Amy Louise Pemberton, Cyle Winters, Anah Diamanty, Josh Thrower, Timothy Simons, Jason Burkey, Carol Hickey, David Arquette.
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