Emerald Fennell está fora do remake de 'Instinto Selvagem'

A reimaginação de um dos thrillers mais provocativos dos anos 90 começou cercada de controvérsia e, ao que tudo indica, também de ruído desnecessário


Sharon Stone como Catherine Tramell em 'Instinto Selvagem' (1992)
Sharon Stone como Catherine Tramell em 'Instinto Selvagem' (1992), de Paul Verhoeven


Emerald Fennell não está envolvida no aguardado remake de Instinto Selvagem. A informação, que havia circulado nos últimos dias após declarações do roteirista Joe Eszterhas, foi oficialmente desmentida tanto por um representante da diretora quanto por um porta-voz da Amazon MGM Studios.

Segundo comunicado enviado à imprensa, a negativa foi direta: “Não há verdade nisso. Ela não está envolvida de forma alguma”. Já o estúdio classificou como “categoricamente falsa” a alegação de que Fennell estaria em negociações para dirigir o projeto.

A origem do boato remonta a uma entrevista de Eszterhas ao jornal britânico The Guardian, na qual o roteirista, responsável pelo filme original, afirmou que os produtores estavam em tratativas com a cineasta. “Ela é uma diretora muito interessante. Sua sensibilidade é perfeita. Não tem medo de controvérsia e sexualidade”, disse ele, demonstrando entusiasmo com uma colaboração que, agora, sabemos que nunca existiu de fato.

Apesar da confusão, o remake de Instinto Selvagem continua em desenvolvimento. A Amazon MGM Studios teria investido cerca de US$ 4 milhões no novo roteiro de Eszterhas — um valor considerável que indica a ambição por trás da produção.

O filme original, dirigido por Paul Verhoeven, marcou época ao combinar erotismo, violência estilizada e uma abordagem quase provocativa da moralidade. Na trama, o detetive Nick Curran (Michael Douglas) investiga o assassinato brutal de um músico, morto durante o sexo com uma mulher misteriosa. O caso ganha contornos obsessivos quando ele se envolve com a principal suspeita: a enigmática Catherine Tramell, interpretada por Sharon Stone em uma performance que se tornou icônica.


Entre o alívio e a desconfiança

Do ponto de vista crítico, a saída (ou melhor, a não entrada) de Fennell pode ser vista com certo alívio, especialmente para quem esperava uma abordagem mais fiel ao espírito transgressor do original.

Embora tenha conquistado prestígio entre os críticos com Bela Vingança, Fennell divide opiniões quando o assunto é execução. Seu estilo, frequentemente mais preocupado com construção estética e subtexto social do que com impacto visceral, dificilmente dialogaria com a crueza e o descaramento que definiram Instinto Selvagem. Sua adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes, por exemplo, foi recebida com reservas justamente por diluir a intensidade emocional da obra.

E aqui está o ponto central: Instinto Selvagem nunca foi sobre “sensibilidade” no sentido tradicional. O filme de Verhoeven opera no excesso, seja na sexualidade, na violência ou na provocação. É um produto de seu tempo, mas também uma peça autoral que desafia convenções de forma quase agressiva.

A tentativa de reinterpretá-lo sob uma lente mais “polida” ou autoconsciente pode não apenas esvaziar sua essência, mas transformá-lo em algo irreconhecível.


O desafio do remake

Resta saber qual direção criativa o projeto tomará daqui em diante. Recriar Instinto Selvagem em 2026 não é apenas uma questão de atualizar a narrativa, mas de entender o que tornava o original tão desconcertante, e decidir se isso ainda tem espaço no cinema contemporâneo. O verdadeiro risco não está em quem dirige, mas em tentar domesticar um filme que nunca teve a intenção de ser domado.


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Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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