Todas as aberturas de 'Pânico', rankeadas da pior à melhor



Poucas franquias transformaram a cena de abertura em um evento tão aguardado quanto Pânico. Desde 1996, o cold open virou um ritual: alguém atende o telefone, alguém faz uma pergunta aparentemente inocente… e, minutos depois, estamos reconsiderando nossas escolhas de vida.

Mais do que sustos, essas aberturas funcionam como um termômetro do próprio gênero slasher: sempre comentando tendências, clichês e a obsessão do público por violência estilizada.

Abaixo, você confere o nosso ranking definitivo (ou pelo menos altamente defensável) dessas introduções, da menos eficaz à absolutamente icônica. O ranking contém alguns spoilers, mas nada que comprometa a diversão com a franquia.



8º lugar — Pânico 3 (2000)

Imagem do filme 'Pânico 3'
Ghostface ataca em 'Pânico 3'


A abertura de Pânico 3 não é ruim, ela só sofre do pior crime possível dentro da franquia: ser esquecível. A destino de Cotton Weary (Liev Schreiber) tem peso narrativo, já que ele é um personagem estabelecido. O problema é que a cena abandona o jogo psicológico prolongado e aposta em algo mais direto, quase burocrático. O tal modulador de voz, que imita qualquer pessoa, até adiciona um elemento novo… mas também tira parte da graça. Quando tudo é possível, nada é realmente assustador. Resultado: funcional, mas sem personalidade, o equivalente slasher de um relatório bem formatado.



7º lugar — Pânico 7 (2026)

Michelle Randolph como Madison em 'Pânico 7'
Michelle Randolph como Madison em 'Pânico 7'


A abertura de Pânico 7 tem uma qualidade curiosa: ela não é memorável o suficiente para brigar com as melhores, mas também não comete os pecados de Pânico 3. E isso, dentro dessa franquia, já é alguma coisa. A cena volta ao básico: isolamento, telefone (ou equivalente moderno), construção gradual de tensão. Nada de multidões, nada de metalinguagem caótica, nada de subversão estrutural. Aqui, a proposta parece ser: “E se a gente só fizer isso funcionar de novo?”. Pânico 7 entende a fórmula, respeita a fórmula, mas não desafia a fórmula. É como um assassino que estudou todos os filmes… e decidiu não improvisar.


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6º lugar — Pânico 5 (2022)

Jena Ortega como Tara em 'Pânico 5'
Jena Ortega como Tara em 'Pânico 5'


Aqui temos uma escolha ousada: a primeira vítima de Ghostface sobrevive! A sequência com Tara (Jenna Ortega) moderniza a fórmula com casa inteligente, mensagens, discussões sobre os prós e os contras do terror elevado, e um Ghostface que claramente sabe usar Wi-Fi melhor do que muita gente. Mas existe um efeito colateral: ao não matar sua “vítima de abertura”, o filme perde um pouco daquele impacto cruel que definiu a franquia. Ainda assim, a abertura de Pânico 5 é tensa, bem dirigida e atual. Só não tem o mesmo soco no estômago.



5º lugar — Pânico: A Série de TV

A atriz Bella Thorne como Nina em 'Pânico: A Série'
Bella Thorne como Nina em 'Pânico: A Série'


A série começa com um recado claro: “sim, nós sabemos exatamente o que você espera”. Tirando o acréscimo do cenário da piscina e dos trajes de banho que deixam a diva Bella Thorne mais linda que o habitual, a cena é praticamente uma recriação moderna da abertura original: uma garota loira, popular, sozinha… você já sabe onde isso vai dar. Funciona? Funciona, e se estabelece como a abertura mais sexy da franquia. Mas também é deliberadamente derivativa. É um ótimo cover de uma música clássica, só não é a versão original.



4º lugar — Pânico VI (2023)

Samara Weaving como Laura Crane em 'Pânico VI'
Samara Weaving como Laura em 'Pânico VI'


Aqui a franquia resolve brincar de xadrez 4D com o público. A abertura de Pânico VI, com a participação especial da scream queen Samara Weaving, ousa revelar a identidade do assassino… e depois mata o próprio assassino! É quase uma piada interna elevada ao nível de estrutura narrativa. O resultado é uma cena que quebra completamente a expectativa, mesmo que isso reduza o tradicional jogo de gato e rato. Não é a mais assustadora, mas talvez seja a mais “esperta”.


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3º lugar — Pânico 4 (2011)

Anna Paquin e Kristen Bell como Rachel e Chloe em 'Pânico 4'
Anna Paquin e Kristen Bell como Rachel e Chloe em 'Pânico 4'


Se você já ficou confuso assistindo essa abertura, saiba: era exatamente essa a intenção. Com múltiplas camadas de filme dentro de filme, Pânico 4 transforma sua abertura em um comentário sobre a obsessão por franquias, remakes e reboots. E ainda faz isso com participações de Kristen Bell, Anna Paquin e Lucy Hale. É caótica, metalinguística e deliciosamente autoconsciente. E não dava para esperar menos dessa que é a melhor de todas as continuações do filme original.



2º lugar — Pânico 2 (1997)

Jada Pinkett Smith como Maureen em 'Pânico 2'
Jada Pinkett Smith como Maureen em 'Pânico 2'


Se o primeiro filme isolava a vítima, Pânico 2 faz o oposto: coloca o horror no meio de uma multidão. A morte de Maureen (Jada Pinkett Smith) em um cinema lotado — enquanto a tela grande exibe uma versão não muito fiel da morte de Casey, do filme original — é brilhante porque ninguém percebe o que está acontecendo. Ou pior, acha que faz parte do show. É desconfortável, irônica e uma crítica afiada à forma como consumimos violência.



1º lugar — Pânico (1996)

Drew Barrymore como Casey em 'Pânico'
Drew Barrymore como Casey em 'Pânico'


Não tem discussão. A abertura com Casey Becker (Drew Barrymore), no filme original dirigido por Wes Craven, é simplesmente perfeita. Ela estabelece o tom, as regras, o humor ácido e a crueldade da franquia. Tudo isso em poucos minutos. O uso do telefone, o crescendo de tensão, o silêncio final… é uma aula de construção de suspense. E claro: matar a “estrela” logo no começo continua sendo uma das decisões mais brilhantes do terror moderno.


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Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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