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'Obsessão' (2025) Review | Um romance amaldiçoado que transforma paixão em pesadelo corporal

Com atuações impressionantes, violência gráfica e um clima de desconforto constante, 'Obsessão' confirma Curry Barker como um dos nomes mais promissores do novo terror independente


Inde Navarrette e Michael Johnston intrepretam o casal Nikki e Bear em 'Obsessão'
'Obsessão' | Foto: © 2026 FOCUS FEATURES LLC. ALL RIGHTS RESERVED.


Se alguém ainda tinha dúvidas de que o terror independente norte-americano continua sendo um dos lugares mais férteis para o surgimento de novos talentos, Obsessão chega para reforçar essa impressão. Apenas o segundo longa-metragem de Curry Barker, conhecido até pouco tempo atrás principalmente pelo canal de esquetes cômicas That's a Bad Idea e pelo elogiado Milk & Serial, o filme demonstra uma segurança surpreendente na direção. Não por acaso, Barker já foi escolhido para comandar uma nova versão de O Massacre da Serra Elétrica. Depois de assistir a Obsessão, fica fácil entender por quê.

A premissa é deliciosamente simples. Bear (Michael Johnston) é o típico "cara legal": tímido, inseguro e apaixonado há anos por Nikki (Inde Navarrette), sua melhor amiga. Incapaz de confessar seus sentimentos, ele encontra em uma loja de presentes um artefato chamado Salgueiro dos Desejos, um pequeno objeto supostamente mágico capaz de realizar um único desejo. Como qualquer protagonista de filme de terror que claramente nunca assistiu a um filme de terror, Bear decide desejar que Nikki se apaixone por ele. O universo, naturalmente, resolve atender ao pedido da maneira mais cruel possível.


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O grande mérito do roteiro é entender que essa história funciona melhor quando permanece íntima. Em vez de transformar a maldição em uma ameaça global ou criar uma mitologia gigantesca, Barker concentra toda a narrativa nas consequências emocionais e físicas desse desejo egoísta. O resultado é uma mistura curiosa de romance, drama, humor negro e horror psicológico que alterna momentos genuinamente engraçados com outros capazes de provocar um desconforto difícil de ignorar. O filme muda de tom com impressionante naturalidade, sem jamais parecer perdido.

Nikki (Indie Navarrette) sorri no filme 'Obsessão'
'Obsessão' | Foto: © 2026 FOCUS FEATURES LLC. ALL RIGHTS RESERVED.


Boa parte desse sucesso passa pelas atuações. Michael Johnston compreende perfeitamente quem é Bear: um rapaz incapaz de tomar qualquer iniciativa, cuja passividade se torna quase tão desesperadora quanto os acontecimentos sobrenaturais. Sua hesitação constante, as frases interrompidas e o olhar permanentemente assustado ajudam a vender a ideia de alguém completamente esmagado pelas consequências das próprias escolhas.

Mas quem realmente domina o filme é Inde Navarrette. Sua Nikki vai pouco a pouco abandonando qualquer traço de normalidade para se tornar uma presença absolutamente inquietante. Os olhos fixos, os movimentos antinaturais, o sorriso deslocado e a devoção obsessiva transformam a personagem em uma das figuras mais assustadoras e imprevisíveis que o terror recente apresentou. É daquelas interpretações que permanecem na memória muito depois dos créditos finais.


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Quando decide assustar, Barker também demonstra uma maturidade rara. Em vez de depender de jumpscares incessantes, ele aposta em imagens perturbadoras, silêncios prolongados e uma montagem seca, quase agressiva, que quebra o ritmo das cenas exatamente nos momentos certos. A ausência quase completa de uma trilha sonora tradicional amplia ainda mais essa sensação de desconforto, deixando o espectador preso aos sons ambientes e aos ruídos desagradáveis que acompanham a deterioração da realidade. É uma abordagem simples, mas extremamente eficaz.

Bear (Michael Johnston) em cena de terror do filme 'Obsessão'
'Obsessão' | Foto: © 2026 FOCUS FEATURES LLC. ALL RIGHTS RESERVED.


E então chega a violência. Muita violência. Obsessão abraça o horror gráfico sem qualquer pudor, entregando uma sequência impressionante de imagens grotescas que explicam perfeitamente por que algumas cenas precisaram ser suavizadas para evitar a classificação NC-17 nos Estados Unidos. Os efeitos práticos são excelentes na maior parte do tempo e ajudam a tornar as mortes ainda mais impactantes. Existe apenas um momento específico em que o truque de maquiagem fica um pouco evidente, mas o choque provocado pela cena é tão grande que qualquer pequena imperfeição rapidamente deixa de importar.

Nem tudo funciona com a mesma intensidade. Em determinados momentos, Barker repete algumas situações envolvendo a escalada da obsessão de Nikki, criando uma leve sensação de repetição antes do clímax. Felizmente, essas pequenas oscilações nunca chegam a comprometer o ritmo geral da narrativa, que permanece surpreendentemente ágil para um filme centrado em poucos personagens e em um conceito relativamente simples.

Talvez o aspecto mais interessante de Obsessão seja justamente sua ironia cruel. Durante décadas, incontáveis romances venderam a fantasia de encontrar alguém que amasse incondicionalmente o protagonista. Barker pega esse desejo universal, distorce completamente sua lógica e o transforma numa maldição grotesca. A fantasia romântica vira prisão, a devoção absoluta se converte em terror, e o sonho de qualquer apaixonado acaba revelando seu lado mais assustador.

Indie Navarrette interpreta Nikki em 'Obsessão'
'Obsessão' | Foto: © 2026 FOCUS FEATURES LLC. ALL RIGHTS RESERVED.


Obsessão é um daqueles filmes que conseguem ser criativos sem parecer que estão desesperadamente tentando ser diferentes. Barker demonstra domínio de linguagem, senso de ritmo e uma confiança impressionante para alguém com apenas dois longas no currículo. Com pequenas imperfeições aqui e ali, entrega um horror inventivo, brutal e memorável, sustentado por duas excelentes atuações e por uma atmosfera de desconforto constante. Se este realmente for o cartão de visitas para sua futura versão de O Massacre da Serra Elétrica, os fãs do gênero têm motivos de sobra para acompanhar seus próximos passos.


Nota: 8/10


Título Original: Obsession.

Título Nacional: Obsessão.

Gênero: Terror.

Produção: 2025.

Lançamento: 2026.

País: Estados Unidos da América.

Duração: 1 h 48 min.

Roteiro: Curry Barker.

Direção: Curry Barker.

Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless, Andy Richter, Haley Fitzgerald, Darin Toonder, Anthony Pavone.



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Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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