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'Armadilha Mortal' (2025) Review: muito drama e um caçador assassino preso no slasher errado

James Kondelik desperdiça um vilão imponente e ótimos efeitos práticos em um slasher arrastado, povoado por personagens que falam muito e divertem muito pouco.


Randy Couture interpreta o Caçador no filme 'Armadilha Mortal'
Randy Couture em 'Armadilha Mortal'


Há um princípio básico que muitos slashers entendem desde os tempos de Sexta-Feira 13: se seus personagens são insuportáveis, trate de colocar o assassino para trabalhar o mais rápido possível. Armadilha Mortal, já disponível em streaming, parece desconhecer completamente essa regra. O novo longa de James Kondelik, especialista em produções de baixo orçamento como Malditos Tubarões e Jurassic Galaxy, prefere prolongar interminavelmente o convívio com um grupo de protagonistas irritantes antes de permitir que seu vilão psicótico finalmente faça aquilo que todos compraram ingresso para assistir: picotar gente.

A história acompanha Ashley (Alexandra Essoe) e Scott (Marshall Williams), dois irmãos que retornam à floresta onde seus pais morreram após atropelar um cervo. A viagem, naturalmente, serve de desculpa para desenterrar ressentimentos familiares que o roteiro faz questão de revisitar a cada dez minutos. Junto deles estão Charlie (Matt Hamilton), marido de Ashley; Gwen (Jordan Claire Robbins), esposa de Scott; e Lars (Richard Harmon), um sujeito cuja maior habilidade parece ser testar os limites da paciência alheia. A floresta, por sua vez, abriga um caçador assassino armado com arco, flechas e uma considerável disposição para resolver conflitos familiares da maneira mais objetiva possível.


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Antes disso, porém, Kondelik insiste em convencer o público de que Scott e Charlie são verdadeiros especialistas em sobrevivência na natureza. A tese dura pouco. Depois de alertarem todos para não pisar nas fossas de caça escondidas pela mata, um deles consegue a proeza de cair justamente em uma dessas armadilhas. É o tipo de decisão que faz parecer que os personagens receberam treinamento intensivo assistindo vídeos motivacionais do Coiote perseguindo o Papa-Léguas.

Personagens discutem na floresta no filme 'Armadilha Mortal'
'Armadilha Mortal'


O problema é que situações assim não chegam a ser engraçadas de propósito. Boa parte do tempo é consumida por discussões familiares, acusações antigas e diálogos que parecem existir apenas para atrasar a entrada do assassino. Ashley e Scott reclamam tanto da vida que, em determinado momento, o espectador passa a torcer pelo caçador não por sadismo, mas por misericórdia. Quando finalmente ele aparece em cena, a sensação é semelhante à chegada da chuva depois de uma longa estiagem.

Curiosamente, o filme demonstra que poderia ter sido muito mais interessante. Em paralelo ao drama enfadonho dos irmãos, existe uma pequena história envolvendo duas jovens chamadas Katharine e Monica, interpretadas por Shanelle Connell e Brenna Llewellyn, cujo grupo de amigos adolescentes foi eliminado pelo caçador demoníaco. Sempre que a narrativa muda para as duas, Armadilha Mortal ganha energia, leveza e até um certo espírito de slasher clássico.


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As duas são interessantes justamente porque o roteiro não tenta desenvolvê-las, apenas as coloca em uma luta desesperada pela sobrevivência. É impossível não se perguntar por que James Kondelik e Victor Rose decidiram relegar essas personagens a poucos minutos de tela enquanto insistem em manter o foco justamente na parte menos interessante da história. É quase como assistir a um trailer de um filme melhor escondido dentro de outro muito pior.

Brenna Llewellyn interpreta Monica no filme em 'Armadilha Mortal'
Brenna Llewellyn em 'Armadilha Mortal'


Quando o diretor finalmente se lembra de que está fazendo um filme de horror, pelo menos entrega sangue em abundância. Os efeitos práticos são facilmente o maior acerto da produção. Há decapitações convincentes, membros arrancados, flechas atravessando rostos e uma generosa coleção de mutilações que demonstram um cuidado muito maior do que o restante do filme. Os fãs do gore artesanal provavelmente sairão satisfeitos. Não porque a história funcione, mas porque, quando alguém finalmente deixa de falar e começa a perder partes do corpo, Armadilha Mortal finalmente parece saber o que quer ser.

O próprio vilão ajuda bastante nesse processo. Interpretado pelo ex-campeão do UFC Randy Couture, o caçador possui presença física suficiente para funcionar como uma ameaça convincente. Não chega a ter uma personalidade marcante nem um visual particularmente memorável, mas sua imponência compensa parte dessas limitações. Os confrontos finais rendem alguns momentos divertidos e mostram que havia potencial para transformar o personagem em algo muito mais interessante caso estivesse inserido em um roteiro mais enxuto.

Infelizmente, até o último ato consegue tropeçar onde parecia impossível. Em vez de acelerar rumo ao confronto decisivo, o filme resolve aumentar ainda mais a carga dramática, despejando novos conflitos familiares e uma série de flashbacks intermináveis sobre a morte dos pais de Ashley e Scott. É uma escolha curiosa: justamente quando o assassino deveria dominar completamente a narrativa, Kondelik decide interromper a carnificina para mais uma sessão de terapia em grupo. Nem o caçador parece muito interessado nessas conversas.

Jordan Claire Robbins interpreta Gwen no filme 'Armadilha Mortal'
Jordan Claire Robbins em 'Armadilha Mortal'


Armadilha Mortal é daqueles filmes que parecem lutar contra o próprio gênero. Sempre que abraça o slasher, diverte moderadamente graças ao gore caprichado e ao carisma físico de seu assassino. Sempre que tenta virar drama familiar, transforma seus 108 minutos em uma travessia dolorosamente cansativa. Talvez, se tivesse abandonado Ashley e Scott logo no início e entregue o protagonismo para Katharine, Monica e seus amigos, o resultado fosse muito diferente. Do jeito que ficou, nem mesmo o gore caprichado e um caçador irritado armado até os dentes conseguem salvar.


Nota: 2,8/10


Título Original: Pitfall.

Título Nacional: Armadilha Mortal.

Gênero: Terror.

Produção: 2025.

Lançamento: 2026.

País: Canadá, Estados Unidos da América.

Duração: 1 h 48 min.

História: James Kondelik.

Roteiro: Victor Rose.

Direção: James Kondelik.

Elenco: Marshall Williams, Alexandra Essoe, Richard Harmon, Randy Couture, Jordan Claire Robbins, Matt Hamilton, Teresa Laverty, Grant Vlahovic, Shanelle Connell, Brenna Llewellyn, Chance Orion Wood.



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Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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