Crítica | Prevenge


Ruth é uma mulher grávida que acredita que seu bebê fala com ela. A voz vinda de seu útero pede a ela para matar pessoas. E ela mata. A princípio as matanças de Ruth parecem seguir um padrão, e o público percebe que suas vítimas não são aleatórias. Mas logo a situação foge do controle, e todos ao seu redor passam a ser vítimas em potencial.

O filme marca a estréia na direção da atriz Alice Lowe, que também assina o roteiro e faz o papel principal. Ela faz um trabalho consistente como diretora, embora seu estilo fuja muito do cinema comercial. O mesmo pode ser dito de seu roteiro, que mistura elementos do cinema slasher - há cenas bem sangrentas ao longo do filme - com camadas mais profundas que abordam o medo da gravidez, a depressão pós parto e outros assuntos que o público mais atento irá descobrir aos poucos.


Alice aproveitou a própria gravidez e filmou o longa em apenas 11 dias. Sua atuação é ótima, fazendo uma personagem extremamente perturbada e que ainda assim consegue ser carismática. Ela consegue conferir um tom de naturalidade às cenas, mesmo nos momentos mais absurdos. O elenco de apoio esbanja simpatia, entregando uma coleção de personagens bizarros e divertidos.

Conforme os motivos reais por trás dos assassinatos de Ruth começam a ficar claros, o filme perde bastante seu impacto e começa inclusive a ser tornar arrastado. Mesmo apresentando reviravoltas interessantes no último ato, a falta da fluidez da história incomoda e o final, embora condizente com a história, é bem anti-climático. Prevenge é uma obra curiosa que pode ser bem aceita por quem procura por conceitos diferentes. Mas justamente por ser algo tão autoral, dificilmente vai agradar ao público de filmes de terror tradicional.


(Prevenge, Inglaterra, 2017) Direção: Alice Lowe. Elenco: Alice Lowe, Jo Hartley, Gemma Whelan, Kate Dickie, Tom Davis

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