Crítica | Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2018)

O som atrai criaturas mortais em 'Um Lugar Silencioso', filme de terror tenso e surpreendente dirigido por John Krasinski


Noah Jupe, Millicent Simmonds e John Krasinski no filme 'Um Lugar Silencioso'
Noah Jupe, Millicent Simmonds e John Krasinski no filme 'Um Lugar Silencioso' | Foto: Jonny Cournoyer - © 2018 Paramount Pictures


Quando bem utilizado, o silêncio faz maravilhas por um filme de terror. Fede Alvarez mostrou isso em 2016, com seu ótimo O Homem nas Trevas. Robin Aubert também, com o estranho Les affamés (2017). Agora é a vez do diretor e co-roteirista John Krasinski (Família Hollar) repetir a dose com Um Lugar Silencioso. E se os filmes citados acima já mexiam com os nervos, a obra de Krasinski dá um passo à frente, atingindo níveis de tensão inacreditáveis.

Um Lugar Silencioso nos leva para um cenário que poderia muito bem ser o presente, se tudo não parecesse estranhamente deserto. As únicas almas vivas parecem ser uma família formada por um pai, sua esposa e três filhos, que vagam por uma loja vazia em busca de itens para garantir sua sobrevivência. A família se comunica em completo silêncio, e o motivo logo fica claro: o mundo está infestado de criaturas misteriosas e mortais, cegas, mas com uma audição apurada. O mínimo ruído, então, pode significar uma sentença de morte.

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A esmagadora maioria do filme não tem diálogos, e a pouca comunicação entre os personagens é feita através da linguagem de sinais. Mesmo sem recorrer a palavras, Krasinski estabelece as regras de seu mundo com facilidade. Faz isso de maneira chocante, e o senso de ameaça persiste até a última cena. O diretor nos conduz silenciosamente por um passeio assustador nesse universo curioso, enquanto nos prepara para os momentos de terror que a família, inevitavelmente, terá que passar.

Imagem do filme 'Um Lugar Silencioso'
Imagem do filme 'Um Lugar Silencioso' | Foto: Jonny Cournoyer - © 2018 Paramount Pictures


O diretor domina os melhores elementos do gênero. Sabe criar suspense, sabe como assustar seu público e, principalmente, como deixá-lo roendo as unhas. O terceiro ato inteiro é uma montanha-russa de medo e tensão como há muito tempo não se via. O trabalho de mixagem sonora é excelente, e até mesmo os eventuais jump scares funcionam. Afinal, em um filme onde praticamente ouvimos apenas os sons naturais, o mínimo ruído diferente já é suficiente para nos tirar de nossa zona de conforto.

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Krasinski também atua no filme, e está muito bem como Lee, o pai que luta contra seus próprios demônios internos, e está disposto a tudo para proteger sua família. Emily Blunt (Sicario: Terra de Ninguém) dá um show à parte no papel da esposa grávida Evelyn. O roteiro é particularmente cruel com ela, colocando-a nas situações mais desesperadoras possíveis.

Emily Blunt e Millicent Simmonds no filme 'Um Lugar Silencioso'
Emily Blunt e Millicent Simmonds no filme 'Um Lugar Silencioso' | Foto: Jonny Cournoyer - © 2018 Paramount Pictures


A atriz mirim Millicent Simmonds (Sem Fôlego) entrega uma boa performance como a filha Regan. Sua personagem, tem o melhor arco dramático do filme, e sua jornada é importante para justificar a reviravolta final. Noah Jupe (Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso), embora não tenha grande destaque, faz muito bem sua parte quando a história exige.

Krasinski comete aluns deslizes nos minutos finais, quando precisa mostrar as criaturas. O visual delas com certeza é interessante, mas acredito que poderiam causar mais impacto se o diretor recorresse a mais efeitos práticos e menos CGI. A maneira abrupta como Um Lugar Silencioso termina vai dividir opiniões. Mas são problemas bem pequenos perto dos enormes acertos do filme.

Nota: 8.5/10

Título original: A Quiet Place.
Gênero: Terror.
Produção: 2018.
Lançamento: 2018.
País: Estados Unidos.
Duração: 1h30m.
Roteiro: Bryan Woods, Scott Beck, John Krasinski.
Direção: John Krasinski.
Elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe, Cade Woodward, Leon Russom.

Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

1 Comentários

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  1. Excelente filme.Uma trilha sonora envolvente e a volta dos bons tempos,aonde não era possivel imaginar o final da trama.Suspense e terror na medida certa. Tudo se encaixa perfeitamente a começar pelo elenco.Destaque para a garotinha que rouba quase todas as cenas. O filme só peca no finalzinho...os malditos efeitos especiais,neste caso tudo se torna repetivo! Vale muito a pena!O telespectador se sente envolvido e não desgruda na cadeira.Sem muitas explicações,e sem alucinações...vale cada minuto do seu tempo.

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