Crítica | Housewife (2018)

Clémentine Poidatz mergulha em um pesadelo sem volta no novo filme de Can Evrenol

Clémentine Poidatz em imagem do filme 'Housewife'

Por Ed Walter

Clémentine Poidatz interpreta Holly, uma mulher abalada por uma terrível tragédia de sua infância. Depois de reencontrar uma amiga com a qual havia perdido contato, ela e seu marido são apresentados ao Umbrella of Love and Mind, um culto liderado por um homem que alega ter poderes paranormais. O encontra arrasta Holly para um pesadelo sem volta onde passado e presente se fundem, trazendo consequências terríveis para sua vida. Ou talvez não, dependendo da maneira como você interpretar tudo.

Trata-se do novo trabalho do diretor turco Can Evrenol, que em 2015 causou bastante impacto com seu longa de estréia: o insano Baskin, filme que arrancou aplausos de muitos fãs do cinema de terror. Aqui ele entrega uma obra esteticamente belíssima. As imagens carregam uma forte influência dos filmes de Mario Bava, particularmente de O Barão Sangrento, de 1972. Há ainda reflexos de Suspiria (1977) e A Mansão do Inferno (1980), de Dario Argento. E Evrenol também parece se esforçar para reverenciar o cinema de Lucio Fulci.

Imagem do filme 'Housewife'

O fato de estarmos diante de um longa turco falado em inglês garante que os atores atuem com um forte sotaque, o que aumenta a sensação de estarmos assistindo a um filme de arte europeu dos anos 60 ou 70. A trilha sonora é eficiente e também chama a atenção pela maneira incomum como é utilizada: está frequentemente presente nos momentos de calmaria, mas some nos momentos de tensão. Os cortes são bruscos, calculados para causar desconforto.

Assim como em Baskin, Evrenol aposta no grotesco para compor suas cenas de terror. A violência é explícita, os efeitos práticos são deliciosamente detalhados e há uma boa quantidade de sangue no decorrer da história. Nudez e sexo são elementos sempre presentes. E inesperadamente há também jump scares. Um deles, aliás, funcionou muito bem comigo. No final, o filme trilha pelos caminhos do terror de H.P. Lovecraft. O resultado é uma cena que consegue ser tanto bela quanto perturbadora.

David Sakurai em imagem do filme 'Housewife'

Mas é preciso dizer que Housewife é também uma obra com um pé no surrealismo. Em sua metade final a arte obscurece a narrativa. As cenas passam a surpreender por sua estranheza mas também a desorientar por sua ambiguidade. E isso vai desapontar muita gente. Para mim foi uma experiência sensorial curiosa. Mas meu fascínio também veio acompanhado por uma dose de frustração.

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O melhor: Visual belíssimo e cenas bizarras.
O pior: Fica surreal demais na metade final.

Título original: Housewife.
Gênero: Terror.
Produção: 2017.
Lançamento: 2018.
Pais: Turquia, Estados Unidos.
Duração: 82 minutos.
Roteiro: Can Evrenol e Cem Özüduru.
Direção: Can Evrenol.
Elenco: Clémentine Poidatz, David Sakurai, Alicia Kapudag, Ali Aksöz, Defne Halman, Zuri Sen, Elif Gülalp.
 

Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

2 Comentários

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  1. Excelente! Tudo funciona muito bem a começar pelos atores.Clémentine Poidatz interpreta Holly e se sai realmente muito bem nas cenas.Tem de tudo um pouco e o melhor,na medida certa.Um filme realmente envolvente e a direção é impecável!

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  2. ....tudo bem que não retrata a realidade em todos os seus aspectos,mas do que esperar de um filme com sangue, sacrifícios e muitas atrocidades?! Esqueça o final, bem vindo ao Cinema,o mundo do entretenimento! Neste aspecto fecha com chave de ouro!

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