A nova encarnação cinematográfica de uma das franquias mais populares dos games acaba de ganhar seus primeiros contornos narrativos, e eles podem não agradar aos fãs mais puristas
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| Milla Jovovich como Alice no filme 'Resident Evil: O Hóspede Maldito' (2002), de Paul W.S. Anderson. Foto: © 2002 - Screen Gems - All rights reserved |
Além de dirigir, Cregger assina o roteiro ao lado de Shay Hatten, conhecido por seu trabalho na franquia John Wick. A combinação indica um filme potencialmente mais dinâmico e tenso, talvez menos preocupado com mitologia e mais focado em impacto imediato.
O lançamento está marcado para 18 de setembro de 2026, com distribuição da Sony Pictures.
Sem ícones clássicos, pelo menos por enquanto
A ausência de personagens clássicos dos jogos da Capcom, como Leon, Jill ou Claire, é o ponto que mais chama atenção, e também o mais controverso.
O próprio Cregger já deixou claro que não pretende seguir a história dos games de forma fiel. Segundo o diretor, a intenção é capturar a “sensação” de jogar Resident Evil, e não adaptar diretamente seus enredos ou protagonistas.
Essa escolha criativa, embora compreensível sob a ótica autoral, inevitavelmente reacende um debate antigo: até que ponto uma adaptação pode se afastar de seu material de origem sem perder sua identidade?
Entre o erro conhecido e o potencial criativo
Do ponto de vista crítico, a decisão de ignorar personagens estabelecidos soa como um déjà vu pouco animador. A franquia já trilhou esse caminho com os filmes dirigidos por Paul W. S. Anderson, estrelados por Milla Jovovich. E embora tenham sido bem-sucedidos comercialmente, sempre enfrentaram resistência dos fãs justamente por se afastarem do cânone dos jogos.
E aqui reside o principal risco: Resident Evil não é uma marca vazia. Trata-se de uma mitologia construída ao longo de décadas, com personagens sólidos e narrativas interligadas que já provaram seu valor. Ignorar esse material em favor de um protagonista inédito pode ser visto não como ousadia, mas como um erro.
Por outro lado, há um fator que impede qualquer julgamento precipitado: Zach Cregger. Com Noites Brutais e A Hora do Mal, o diretor demonstrou domínio raro na construção de tensão, ritmo e desconforto, elementos essenciais para qualquer boa adaptação de Resident Evil. Sua capacidade de manipular expectativa e atmosfera sugere que, mesmo fora do cânone tradicional, o filme pode funcionar como experiência de terror.
O novo Resident Evil parece caminhar em uma linha delicada entre reinvenção e descaracterização. Pode acabar sendo mais um caso de adaptação que ignora suas raízes, ou uma leitura autoral que finalmente acerta o tom do horror que a franquia sempre prometeu no cinema.
Talvez não seja o Resident Evil que os fãs pedem há anos. Mas, se tudo der certo, pode ser o filme de terror que a franquia precisa.
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