Crítica |Ataque Brutal (Thrash, 2026)

Entre o desastre climático e o desastre criativo, a única diversão que sobra é a maré de absurdos


Phoebe Dynevor no filme 'Ataque Brutal'
Phoebe Dynevor no filme 'Ataque Brutal', da Netflix


Ataque Brutal nasceu como Beneath the Storm, virou Shiver, perdeu a janela de estreia e acabou desaguando no catálogo da Netflix com um nome que parece prometer muito mais pancadaria do que realmente entrega. No comando do projeto está o norueguês Tommy Wirkola, um sujeito que já provou saber equilibrar humor e gore em obras como Zumbis de Neve e Noite Infeliz. Aqui, no entanto, ele parece indeciso entre fazer um filme-catástrofe sério ou abraçar de vez o caos trash que o material claramente pede.

A premissa de Ataque Brutal é daquelas que praticamente escrevem o filme sozinhas: um furacão devastador atinge uma cidade costeira enquanto tubarões decidem transformar o desastre natural em um buffet livre. É uma ideia que mistura Tubarão com qualquer produção genérica do Syfy pós-meia-noite. Na verdade, mistura Tubarão até com filmes acima da média, como Predadores Assassinos e Nas Garras do Tigre.


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O problema é que Ataque Brutal claramente não tem calibre para se firmar como um filme acima da média. E ao invés de seguir o exemplo do Syfy, assumindo o DNA absurdo desde o início, o roteiro insiste em ser levado a sério. A narrativa é dividida em três núcleos que raramente conversam entre si. E o pior, não fazem muita questão de entreter.

Djimon Hounsou e Whitney Peak em 'Ataque Brutal'
Djimon Hounsou e Whitney Peak no filme 'Ataque Brutal', da Netflix


Curiosamente, quando o filme acerta, ele mostra que poderia ter sido algo mais interessante. As cenas envolvendo o resgate da personagem de Phoebe Dynevor — uma grávida presa em um carro sendo lentamente tomado pela água — são bem construídas, com uma tensão claustrofóbica que funciona de verdade. Há um senso de urgência ali que o restante do filme simplesmente não consegue replicar. A tentativa de fuga do casal na casa do pântano também tem algum charme, ainda que careça de impacto.

O restante do filme é povoado por personagens que parecem ter sido escritos em um intervalo comercial. Temos três irmãos pré-adolescentes, uma jovem aquafóbica interpretada por Whitney Peak e um biólogo vivido por Djimon Hounsou, que levanta uma questão legítima: qual exatamente é a função dele no filme? Nenhum desses personagens tem carisma ou desenvolvimento suficiente para justificar o tempo de tela, e o filme insiste em dramas paralelos que só servem para atrasar aquilo que realmente importa: ataques de tubarão.


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Ok, os tubarões não chegam a ser esquecidos, e dão as caras entre um arco dramático e outro. E suas aparições até que são divertidas, ao contrário do resto dos efeitos digitais, que raramente convencem. Tirando algumas tomadas de inundação mais competentes, o resto de Ataque Brutal parece saído de uma CGI de videogame de baixo orçamento.

Imagem do filme 'Ataque Brutal'
Imagem do filme 'Ataque Brutal', da Netflix


Nos minutos finais, Wirkola finalmente se lembra de quem ele é. O filme abraça o absurdo com uma energia quase catártica, entregando cenas tão exageradas e ridículas que se tornam genuinamente divertidas. As cenas envolvendo o bebê, que deveriam ser tensas, não podem ser descritas de outra forma, senão como hilárias. É o tipo de sequência que faz você se perguntar se não entrou, sem aviso, em uma produção esquecida do canal Syfy. Isso, nesse contexto, é um elogio. O problema é que essa virada chega tarde demais.

Ataque Brutal não é exatamente o desastre épico que poderia ter sido, mas também está longe de ser um acerto. Há momentos que funcionam, especialmente quando o filme resolve se levar menos a sério, mas a insistência em um drama raso e personagens desinteressantes afunda o conjunto. Se tivesse abraçado o trash desde o início, talvez alcançasse o cobiçado status de “tão ruim que é bom”. Do jeito que ficou, eu prefiro os tubarões do Syfy.


Nota: 3,8/10


Título Original: Thrash.

Título Nacional: Ataque Brutal.

Gênero: Suspense, terror.

Produção: 2026.

Lançamento: 2026.

País: Austrália, Estados Unidos da América.

Duração: 1 h 26 min.

Roteiro: Tommy Wirkola.

Direção: Tommy Wirkola.

Elenco: Djimon Hounsou, Alyla Browne, Stacy Clausen, Dante Ubaldi, Sami Afuni, Tyler Coppin, Adam Dunn, Chai Hansen, Annabel Mullion, Bert LaBonté, Sian Luxford, Diane Rialto, Amy Mathews, Josh McConville, Aaliyah Nginyo, Akosia Sabet, Elijah Ungvary, Costa D'Angelo, Phoebe Dynevor, Andrew Lees, Matt Nable, Whitney Peak, Gemma Dart, Jon Prasida.



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Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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