Crítica | Mimic: Não Confie nas Vozes (Jang-san-beom, 2017)

Família é atormentada por força sobrenatural maligna em 'Mimic: Não Confie nas Vozes', do diretor e roteirista Jung Huh


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Imagem do filme 'Mimic: Não Confie nas Vozes', de Jung Huh


Uma família tenta superar uma tragédia e acaba virando alvo de uma força sobrenatural neste drama de terror sul-coreano dirigido e roteirizado por Jung Huh. Yum Jung-ah, estrela do aclamado Medo (2003), lidera o elenco de Mimic. O próprio Huh assina o roteiro do filme, lançado no Brasil com o subtítulo pouco sutil de Não Confie nas Vozes.

Depois de uma cena de abertura assustadora, somos apresentados a Hee-yeon (Jung-ah), uma mãe abalada com o desaparecimento do filho, ocorrido cinco anos atrás. Ela viaja com a família para uma casa próxima do monte Jang para cuidar da mãe, uma senhora doente. Uma noite, Hee-yeon deixa entrar uma menina misteriosa na casa. A partir desse momento, sua família passa a presenciar fenômenos estranhos que podem anunciar a chegada de uma terrível ameaça sobrenatural.


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Mimic: Não Confie nas Vozes é um filme de desenvolvimento lento, mas o diretor entrega uma metade inicial promissora, que equilibra de maneira satisfatória elementos de drama e de terror. Yum Jung-ah faz um trabalho esplêndido refletindo a tristeza e a emoção da protagonista. Conforme sua obsessão pela filha substituta cresce, seu comportamento se torna mais errático, mas compreensível no contexto do filme.

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Imagem do filme 'Mimic: Não Confie nas Vozes', de Jung Huh


Park Hyuk-kwon está convincente como o marido da protagonista. Ao contrário da esposa, ele se comporta de maneira mais racional, e essa diferença rende alguns conflitos interessantes. Shin Rin-ah esbanja carisma no papel da menina misteriosa. Mas não se engane com ela, pois a atriz de apenas oito anos também sabe ser assustadora quando quer, e entrega os momentos mais arrepiantes do filme.


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Além da história da mãe inconformada, acompanhamos duas outras tramas paralelas. A primeira é sobre um assassinato. A segunda, sobre uma investigação policial. Huh Jung faz um bom trabalho unindo as três histórias, criando algo sombrio e metaforicamente belo. Pelo menos até o terço final, quando começa a tomar decisões ruins e seu filme inicia sua jornada ladeira abaixo.

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Imagem do filme 'Mimic: Não Confie nas Vozes', de Jung Huh


Não gostei de nenhuma cena ambientada no interior da caverna. Principalmente nos minutos finais, excessivamente dramáticos e enfadonhos. Também não gostei da maneira como o diretor apresenta seu monstro, que parecida bem mais interessante quando era apenas sugerido. A garotinha Shin Rin-ah, mesmo não fazendo nada, consegue ser mais assustadora do que a criatura. Acho que o filme se beneficiaria se focasse um pouco mais nela.

Nota: 5/10

Título original: Jang-san-beom.
Gênero: Drama, terror.
Produção: 2017.
Lançamento: 2018.
País: Coreia do Sul.
Duração: 1h 40min.
Roteiro: Jung Huh.
Direção: Jung Huh.
Elenco: Jung-ah Yum, Hyuk-kwon Park, Jin Heo, Rin-Ah Shin, Yu-sul Bang, Lee Joon-hyuk, Hae-yeon Kil, Yul Lee, Ju-won Lee, Soo-Yeong Park, Susanna No, Ji-Hoon Jung, Chae-eun Lee, Jae-won Hwang, Liu Jang, Hyun-ah Jun, Ja-Ryeong Lee, Lee Dal, Ji-Hun Ju, Sang-ok Lee, Seong-bae Lee.

Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

1 Comentários

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  1. Eu vi essa semana, e concordo com você até a metade a gente fica preto a trama, tentando descobrir o que acontece, mas a história vai se arrastando demais e fica chato. O desfecho então com a explicação beira ao absurdo para nos ocidentais, talvez a explicação funcione para o público oriental. Fica a sensação de uma ótima premissa desperdiçada ao longo do filme. Eu daria nota 4.9.

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