Crítica | O Quarto Secreto (Elizabeth Harvest, 2018)

Abbey Lee interpreta noiva curiosa que descobre segredos assustadores em 'O Quarto Secreto', do diretor Sebastian Gutierrez


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A atriz Abbey Lee como Elizabeth em imagem do filme 'O Quarto Secreto', de Sebastian Gutierrez | ©Capelight


O Barba Azul, conto de Charles Perrault publicado em 1697, já serviu de base para muitos filmes. Há reflexos dele em obras que vão de Rebecca, a Mulher Inesquecível (1940), de Alfred Hitchcock, até A Colina Escarlate (2015), de Guillermo del Toro. Até mesmo a ficção científica sombria Ex_Machina: Instinto Artificial (2014), de Alex Garland, aproveita algo do conto.

O Quarto Secreto, do diretor e roteirista venezuelano Sebastian Gutierrez (do ótimo A Criatura da Destruição), é o mais novo filme a beber dessa fonte. Agora, além de toques de ficção científica, a história do nobre violento e sua esposa curiosa também ganha doses explícitas de terror. Abbey Lee (O Demônio de Neon) e Ciarán Hinds (série Game of Thrones) lideram o elenco de O Quarto Secreto, roteirizado pelo próprio Gutierrez.

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A atriz Abbey Lee como Elizabeth em imagem do filme 'O Quarto Secreto', de Sebastian Gutierrez | ©Capelight


Elizabeth (Lee) é uma jovem bela e sonhadora que acaba de se casar e está sendo conduzida até a mansão remota de seu marido, o rico e poderoso cientista Henry (Hinds). Henry deixa claro que tudo que ele possui agora pertence a Elizabeth, mas ela precisa obedecer uma regra: existe um cômodo na casa onde está proibida de entrar. É claro que a curiosidade vai falar mais alto. Assim como aconteceu com Eva, com Pandora e com Psiquê, as consequências de não resistir ao fruto proibido serão muito ruins.


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Existem muitas razões para amar O Quarto Secreto, começando pelo seu visual deslumbrante. Cenários, roupas e penteados que parecem ter saído de um filme europeu dos anos 60 ou 70 dividem espaço com elementos modernos presentes na mansão. A câmera explora os espaços com zooms suaves, quase imperceptíveis, enquanto a iluminação vai do natural até as cores carregadas típicas do cinema de Argento.

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Carla Gugino como Claire e Ciarán Hinds como Henry em imagem do filme 'O Quarto Secreto', de Sebastian Gutierrez | ©Capelight


O elenco entrega um trabalho competente. A atriz e modelo Abbey Lee tem um charme bem no estilo daquelas heroínas de filmes antigos. Seu sotaque carregado ajuda a potencializar o estilo retrô. Hinds faz do marido Henry um personagem elegante, mas que sabe muito bem ser irritante quando a história exige. A revelação sobre suas reais intenções está entre os pontos altos do filme.


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A maravilhosa Carla Gugino (Jogo Perigoso) interpreta Claire, uma funcionária da mansão que guarda respostas para boa parte dos segredos da trama. Matthew Beard (O Jogo da Imitação) interpreta Oliver, um jovem cego que passa a ter grande destaque na segunda metade do filme. Dylan Baker (Armas na Mesa) tem uma participação menor no papel do detetive Logan, mas assim como os demais atores secundários,  entrega uma boa performance.

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A atriz Abbey Lee como Elizabeth em imagem do filme 'O Quarto Secreto', de Sebastian Gutierrez | ©Capelight


O diretor alterna entre drama, momentos de tensão e uma boa quantidade de cenas de violência. Some a isso alguns mistérios e reviravoltas, e temos um filme que funciona perfeitamente na metade inicial. O excesso de flashbacks, de diálogos expositivos e de subtramas comprometem um pouco o brilho da metade final, o que acaba deixando o ritmo um pouco arrastado. Mas o filme ainda se mantém em um nível aceitável.

Nota: 6.5/10

Título original: Elizabeth Harvest.
Gênero: Suspense, ficção científica.
Produção: 2018.
Lançamento: 2018.
País: Estados Unidos.
Duração: 1h 48min.
Roteiro: Sebastian Gutierrez.
Direção: Sebastian Gutierrez.
Elenco: Abbey Lee, Ciarán Hinds, Carla Gugino, Matthew Beard, Dylan Baker.

Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

9 Comentários

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  1. O filme até parecia interessante mais são tantos flashbacks que me confundirem e acabei desistindo de terminar o filme.

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  2. Achei a história interessante, mas quando comecei a ver o filme, me desinteressei. Muitos flashbacks desnecessários. A gente se perde no filme.

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  3. Péssimo, não consegui assistir inteiro.

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  4. Sabe aquele filme que vc acha que será interessante? Aí vc assistindo e torcendo para melhorar em algum momento, mas não melhora. Muito ruim!!!

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  5. A casa do cientista é um espetáculo à parte.

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  6. Péssimo dos péssimos

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