Crítica | Hellraiser: O Julgamento (Hellraiser: Judgment, 2018)

Novo capítulo da franquia 'Hellraiser' aposta em violência gráfica e ideias ambiciosas, mas tropeça na execução


Paul T. Taylor como Pinhead em 'Hellraiser: O Julgamento'
Paul T. Taylor interpreta o novo Pinhead no filme 'Hellraiser: O Julgamento'


Após inúmeras sequências fracassadas, a franquia Hellraiser já não desperta grande expectativa a cada novo lançamento. Hellraiser: O Julgamento, dirigido por Gary J. Tunnicliffe, não foge muito dessa tradição, embora traga uma proposta conceitualmente interessante ao tentar atualizar o universo criado por Clive Barker para um mundo saturado por violência e indiferença moral.

A trama parte de uma premissa instigante: em uma sociedade anestesiada pelas atrocidades do cotidiano, o pecado deixa de chocar. Nesse contexto, os Cenobitas, seres interdimensionais que transitam entre o sagrado e o profano, encontram espaço para agir, oferecendo prazeres ainda mais extremas àqueles que acreditavam já ter esgotado sua cota de pecados terrenos.


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É nesse cenário que acompanhamos os irmãos policiais Sean (Damon Carney, de A Morte Pede Carona) e David Carter (Randy Wayne, de Segure a Respiração), que unem forças com a policial novata Christine Egerton (Alexandra Harris, de O Guerreiro) para investigar uma série de assassinatos brutais ligados a um misterioso serial killer conhecido como Preceptor. A investigação inevitavelmente os conduz a um confronto com Pinhead e seus novos aliados, figuras grotescas que reforçam o lado mais visceral da franquia.


Imagem do filme 'Hellraiser: O Julgamento'
Imagem do filme 'Hellraiser: O Julgamento'


Hellraiser: O Julgamento é dirigido por Gary J. Tunnicliffe, que já trabalhou com a equipe de filmes como o terror sobrenatural The Hatred, o found footage Continue Assistindo e o suspense Enjaulada. Tunnicliffe acerta ao entregar uma abertura impactante e ao apresentar novos Cenobitas visualmente perturbadores, como o Auditor e o Assessor. As primeiras cenas abraçam o horror gráfico, com nudez, violência explícita e ambientes degradados, remetendo diretamente à brutalidade presente nos livros de Clive Barker. Nesse aspecto, O Julgamento demonstra fidelidade às raízes da série.


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O problema surge quando o filme tenta se apoiar na estrutura de um thriller investigativo à la Seven: Os Sete Crimes Capitais. A narrativa perde ritmo, os personagens carecem de profundidade e o suspense se dilui em uma condução previsível. Heather Langenkamp, a eterna Nancy Thompson de A Hora do Pesadelo, faz uma participação especial, mas ela é tão rápida que mal faz diferença na história. Os destaques acabam sendo os vilões, principalmente Paul T. Taylor, que interpreta o novo Pinhead.

Apesar de resgatar algum fôlego nos minutos finais e explorar caminhos inéditos dentro da franquia, Hellraiser: O Julgamento chega tarde demais às suas melhores ideias. O resultado é um filme que flerta com a renovação, mas acaba desperdiçando seu potencial ao não sustentar a força de sua própria proposta.

Nota: 4/10

Título original: Hellraiser: Judgment.

Título Nacional: Hellraiser: O Julgamento.

Gênero: Terror.

Produção: 2018.

Lançamento: 2018.

País: Estados Unidos.

Duração: 81 minutos.

Roteiro: Gary J. Tunnicliffe.

Direção: Gary J. Tunnicliffe.

Elenco: Randy Wayne, Alexandra Harris, Damon Carney, Paul T. Taylor, Heather Langenkamp, Rheagan Wallace, Gary J. Tunnicliffe, John Gulager, Mike J. Regan, Cate Jones.

RELACIONADOS: #Hellraiser: O Julgamento   #Hellraiser   #Gary J. Tunnicliffe

Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

4 Comentários

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  1. Curioso para ver...sabe se vai ser lançado por aqui? Abraço

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    1. Ainda não confirmaram a data de lançamento no Brasil, mas acreditamos que isso vai acontecer em breve. Os filmes anteriores foram lançados por aqui, e acreditamos que logo isso aconteça também com jUDGMENT também.

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    2. É feio falar isso mas no popcorn tem... e concordo com a crítica achei q não focaram no Pinhead o quanto deveriam...o começo é sensacional roteiro estava indo bem... mas deu uma queda na história bem chata... só terminei de assistir por assistir mesmo. .

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    3. Vim de muito tempo depois do post para informar que infelizmente ou felizmente esse filme não saiu nos cinemas brasileiros e nem ao menos recebeu legendas por fansubs para copias na internet

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