Sydney Sweeney interpreta uma jovem de passado misterioso que vai trabalhar para um casal que guarda seus próprios segredos nessa adaptação do romance de Freida McFadden
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| Sydney Sweeney e Amanda Seyfried em arte do filme 'A Empregada'. Foto: © 2025 - Lionsgate |
Baseado no best-seller homônimo de 2022 escrito por Freida McFadden, A Empregada é um suspense psicológico que assume sua herança B sem qualquer pudor. Há nele aquela vibração deliciosamente brega, escandalosa, dos thrillers eróticos dos anos 1990, atualizada com acabamento técnico contemporâneo e uma boa camada de autoconsciência.
Dirigido por Paul Feig e roteirizado por Rebecca Sonnenshine, o longa despertou curiosidade tanto pela força do material original quanto pelo encontro de duas estrelas carismáticas, Sydney Sweeney (Imaculada) e Amanda Seyfried (Garota Infernal). Produzido com um orçamento de US$ 35 milhões, o filme ultrapassou a impressionante marca de US$ 354,6 milhões nas bilheterias mundiais, consolidando-se como o primeiro grande fenômeno comercial do ano.
Sweeney interpreta Millie, uma jovem que se apresenta como a candidata perfeita ao emprego de empregada doméstica de um casal milionário que reside em uma mansão opulenta no interior do estado de Nova York. Armada com gestos ensaiados de doçura e um par de óculos quase tão artificiais quanto seu currículo, ela consegue impressionar a dona da casa, Nina Winchester (Seyfried), uma loira impecavelmente vestida e dona de um sorriso milimetricamente calculado.
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| Millie precisa urgentemente de um emprego no filme 'A Empregada'. Foto: © 2025 - Lionsgate |
Millie se instala no quarto reformado do sótão da mansão, um espaço que, como manda o subgênero, logo se revela mais simbólico do que confortável. Suas funções envolvem cozinhar, limpar e cuidar da pequena e azeda Cece (Indiana Elle, da minissérie Uma Questão de Química). No entanto, o cotidiano doméstico logo ganha contornos mais sugestivos, que incluem fantasias envolvendo o marido de Nina, Andrew, um executivo de tecnologia interpretado por Brandon Sklenar (Drop: Ameaça Anônima).
A Empregada brinca com essas tensões sexuais de maneira calculada, evocando uma tradição de filmes sobre intrusas infernais e lares prestes a ruir. Mas o que começa como uma piscadela evidente para clássicos como A Mão Que Balança o Berço e Mulher Solteira Procura, gradualmente constrói identidade própria. O que parecia apenas mais um exercício nostálgico evolui para um jogo de segredos e revelações que transforma radicalmente a dinâmica entre os personagens.
Esteticamente, o filme é impecável. O elenco parece saído de um catálogo de modelos, e a fotografia valoriza cada ângulo da mansão bem iluminada que serve de palco para a maioria da narrativa. A direção de arte reforça o contraste entre a superfície polida daquela família e as fissuras morais que se escondem nos bastidores. Há um cuidado evidente na composição dos enquadramentos e na construção de uma atmosfera que transita do drama doméstico ao suspense carregado de erotismo.
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| O casal Winchester tem seus próprios segredos sombrios no filme 'A Empregada'. Foto: © 2025 - Lionsgate |
No campo das atuações, Seyfried domina a primeira metade com uma performance divertidíssima. Sua Nina alterna doçura e instabilidade com mudanças de humor ora chocantes, ora hilárias, criando uma personagem inquietante. Sweeney, inicialmente contida na persona de “moça boazinha”, encontra espaço para expandir sua Millie à medida que o roteiro revela camadas ocultas de seu passado, até tomar conta do filme na metade final. Sklenar, por sua vez, surpreende no último ato, mostrando que seu Andrew é mais do que um estereótipo de executivo atraente.
A narrativa transita com fluidez do drama familiar ao suspense, insere as cenas apimentadas esperadas de um thriller erótico e desemboca em um desfecho que abraça o terror e certas perversidades sangrentas com convicção. Paul Feig conduz essa escalada com segurança, mantendo o tom deliciosamente absurdo e o sensacionalismo kitsch que remetem às produções noventistas.
A Empregada não está livre de problemas. O jardineiro Enzo, interpretado por Michele Morrone (365 Dias), por exemplo, acaba subaproveitado. Não se trata de limitação do ator, mas de falta de tempo de tela e desenvolvimento dramático. Fica a sensação de que cenas foram cortadas, deixando lacunas na história de Enzo.
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| Millie e seu patrão Andrew no filme 'A Empregada'. Foto: © 2025 - Lionsgate |
Algumas reviravoltas exigem uma considerável suspensão de descrença, o que pode incomodar o público que não está familiarizado com os exageros do subgênero. Mas o próprio filme parece consciente de seus absurdos, e convida o espectador a embarcar na farsa elegante que propõe.
A Empregada não quer ser um estudo psicológico profundo, e sim um espetáculo estilizado, provocativo e deliciosamente exagerado sobre desejo, manipulação e aparências enganosas. Nesse registro, funciona com eficiência admirável.
Nota: 7/10
Título Original: The Housemaid.
Título Nacional: A Empregada.
Gênero: Drama, suspense, terror.
Produção: 2025.
Lançamento: 2026.
País: Estados Unidos da América.
Duração: 2 h 11 min.
Roteiro: Rebecca Sonnenshine.
Direção: Paul Feig.
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone, Indiana Elle, Peter Colandro, Don DiPetta, Lamar Baucom-Slaughter, Sarah Cooper, Kathy Costa McKeown, Ellen Tamaki, Elizabeth Perkins, Megan Ferguson, Amanda Joy Erickson, Alaina Surgener.
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