Crítica | Halloween – O Espantalho Assassino (Die'ced: Reloaded, 2025)

Muito sangue, pouca ideia, e um espantalho que assusta menos que o roteiro


Jason Brooks como Benny em 'Halloween - O Espantalho Assassino'
Jason Brooks interpreta Benny em 'Halloween - O Espantalho Assassino'


Halloween - O Espantalho Assassino é um slasher dirigido por Jeremy Rudd, que retorna ao universo que iniciou com Die’ced (2023). A trama, ao menos no papel, segue um caminho conhecido: dezessete anos após assassinar a própria família, Benjamin Newman, ou simplesmente Benny (Jason Brooks), escapa de um asilo, veste uma fantasia de espantalho e decide retomar sua carreira homicida em Seattle. Na verdade, Benny está de olho em uma pessoa em particular, mas está disposto a cortar e fatiar qualquer um que se coloque no caminho.

O problema começa cedo, já na abertura, que faz uma “homenagem” tão dedicada a Halloween: O Início que flerta perigosamente com a ideia de cópia carbono. A conversa entre Benny e seu psiquiatra, incluindo a máscara improvisada, não é apenas familiar, é praticamente um déjà vu com orçamento reduzido. Em seguida, o filme mergulha em uma cena de tortura prolongada que, de tão insistente, acaba anulando o próprio impacto.


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Essa dificuldade em dosar o tempo é, talvez, o maior problema da produção. O ritmo é inexistente. O espectador passa longos minutos acompanhando personagens que não foram apresentados, em situações que não levam a lugar algum. Uma enfermeira sem contexto limpa uma cena de assassinato, uma corredora sem identidade faz seu percurso matinal, e o filme segue avançando como se estivesse convencido de que estamos emocionalmente investidos.

Imagem do filme 'Halloween: O Espantalho Assassino'
Imagem do filme 'Halloween: O Espantalho Assassino'


Quando finalmente surge uma tentativa de estrutura narrativa, com a introdução da estudante Cassandra (Eden Campbell), já se passou tempo demais. A personagem até carrega o rótulo de “final girl” com alguma dignidade, mas o desenvolvimento é superficial. Sua dinâmica familiar sugere um drama que nunca se concretiza plenamente, servindo mais como justificativa para a revelação final.

Falando na revelação final, ela deveria funcionar como grande reviravolta. Só que o “mistério” é tão transparente que dificilmente alguém chegará a esse ponto sem já ter antecipado tudo. Quando a revelação finalmente acontece, de maneira atropelada, ela não surpreende, apenas confirma o óbvio com atraso.


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Os demais personagens seguem a cartilha do descartável: adolescentes genéricos, diálogos genéricos, situações genéricas. Há uma tentativa de ambientação oitentista, mas ela não se sustenta — falta textura, falta identidade. O filme quer parecer parte de uma tradição, mas não entende muito bem o que fazia esses clássicos funcionarem.

Eden Campbell como Cassandra em 'Halloween - O Espantalho Assassino'
Eden Campbell interpreta Cassandra em 'Halloween - O Espantalho Assassino'


Ainda assim, há algo que funciona, e funciona muito bem. Os efeitos práticos são, sem exagero, impressionantes. Dentro de um orçamento claramente limitado, Halloween - O Espantalho Assassino entrega sequências de gore que beiram o virtuosismo artesanal. Em certos momentos, a violência gráfica remete diretamente a Terrifier, ainda que sem o mesmo senso de timing ou criatividade narrativa. É aqui que o filme encontra sua identidade: no exagero sanguinolento.

Infelizmente, essa “inspiração” em Terrifier não se limita ao gore. Algumas cenas parecem replicar estruturas inteiras, incluindo encontros entre vítimas e vilão que ecoam, sem muita sutileza, momentos específicos do primeiro filme de Damien Leone. O resultado não é exatamente uma homenagem, mas algo mais próximo de uma tentativa pouco inspirada de recriação.

E então voltamos ao ponto inicial: o espantalho. Visualmente, Benny não é memorável. Falta presença, falta iconografia, falta aquele elemento que transforma um assassino genérico em figura duradoura dentro do gênero. Com um roteiro mais refinado, talvez houvesse algo a explorar ali. Mas, como está, ele se perde no meio do próprio milharal de ideias mal desenvolvidas.

Halloween - O Espantalho Assassino não é completamente desprovido de valor. Para os aficionados por efeitos práticos e carnificina, há material suficiente para justificar a curiosidade. Para o restante do público, sobra a sensação de que, por trás de tanto sangue bem executado, faltou justamente o essencial: um filme à altura.


Nota: 2/10


Título Original: Die'ced: Reloaded.

Título Nacional: Halloween – O Espantalho Assassino.

Gênero: Terror.

Produção: 2025.

Lançamento: 2025.

País: Estados Unidos da América.

Duração: 1 h 21 min.

Roteiro: Jeremy Rudd.

Direção: Jeremy Rudd.

Elenco: Eden Campbell, Jason Brooks, Christine Rose Allen, John Karyus, Nigel Vonas, Collin Fischer, Esha More, Ryan Chen, Nika Kleiman, Mahsa Shokri.


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Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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