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'Maldição da Múmia' (2026) Review | Lee Cronin transforma o monstro clássico em um pesadelo grotesco

Nova versão de 'A Múmia' abandona aventura e humor leve para mergulhar em horror familiar, possessão demoníaca e cenas capazes de testar os estômagos mais fortes


Natalie Grace interpreta a versão adolescente de Katie no filme 'Maldição da Múmia'
Natalie Grace em 'Maldição da Múmia' | Foto: © Warner Bros.


É quase comovente ver Maldição da Múmia simplesmente querendo ser um filme de terror. Parece uma observação estranha, considerando que estamos falando de uma franquia envolvendo cadáveres e maldições ancestrais. Mas, depois de anos vendo monstros clássicos serem transformados em aventuras de ação genéricas, universos compartilhados confusos ou metáforas excessivamente óbvias, é refrescante assistir a uma releitura que só quer fazer o público se contorcer na cadeira enquanto sangue e fluidos corporais tomam conta da tela.

Dirigido por Lee Cronin, responsável por The Hole in the Ground e A Morte do Demônio: A Ascensão, essa releitura de A Múmia tem muito menos em comum com as versões estreladas por Boris Karloff, Brendan Fraser ou Tom Cruise do que o marketing inicialmente sugere. A verdade é que Cronin parece muito mais interessado em expandir suas próprias obsessões autorais: famílias destruídas pelo sobrenatural, crianças retornando ao lar profundamente alteradas e horror físico levado ao limite do grotesco.


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Jack Reynor interpreta Charlie Cannon, jornalista que vive no Cairo ao lado da esposa grávida Larissa (Laia Costa) e dos filhos pequenos Sebastian e Katie, interpretados por Dean Allen Williams e Emily Mitchell. A vida da família desmorona quando Katie desaparece misteriosamente. Oito anos depois, já vivendo no Novo México e tentando reconstruir a vida com a nova filha Maud (Billie Roy) e o filho Sebastian já em idade pré-adolescente (o personagem agora é interpretado por Shylo Molina), os Cannons recebem a notícia impossível: Katie foi encontrada viva.

Jack Reynor e Laia Costa interpretam o casal Charlie e Larissa no filme 'Maldição da Múmia'
Jack Reynor e Laia Costa em 'Maldição da Múmia' | Foto: © Warner Bros.


Naturalmente, em um filme chamado Maldição da Múmia, isso não poderia significar coisa boa. E, de fato, o retorno da menina desencadeia um pesadelo progressivamente mais perturbador. Os sinais de alerta não demoram a começar, com olhares desconfortáveis e situações que fazem o espectador questionar constantemente o que realmente aconteceu durante os anos em que ela esteve desaparecida. O resultado lembra tanto uma versão acelerada de O Exorcista quanto certos dramas familiares dos anos 70, mas filtrados pela sensibilidade brutal que o diretor já demonstrava em seus trabalhos anteriores.

E brutal é uma palavra importante aqui, pois as cenas de horror são absolutamente descontroladas. Cronin parece determinado a provar que ainda existem maneiras novas de traumatizar plateias usando cadáveres, mutilações, secreções suspeitas e quantidades industriais de sangue cenográfico. Os efeitos práticos são magníficos, transformando o filme em uma celebração grotesca do horror físico. Existe uma sequência envolvendo um velório que dá tão absurdamente errado que parece algo concebido após uma madrugada inteira assistindo aos filmes mais insanos de Sam Raimi.


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Aliás, a influência de Raimi está em toda parte: movimentos de câmera frenéticos, possessões exageradas, corpos sendo arremessados contra portas e surtos de violência tão absurdos que beiram o humor involuntário. A diferença é que Cronin não possui exatamente o mesmo timing cômico do criador de A Morte do Demônio. Mas, curiosamente, isso acaba funcionando a favor do filme: em vez de suavizar o horror com piadas constantes, ele deixa as situações bizarras desconfortavelmente suspensas entre o grotesco e o tragicômico, o que torna algumas cenas ainda mais perturbadoras.

May Calamawy interpreta a policial Dalia em 'Maldição da Múmia'
May Calamawy em 'Maldição da Múmia' | Foto: © Warner Bros.


O elenco ajuda bastante a sustentar o caos. Jack Reynor funciona muito bem como o homem racional lentamente consumido pela obsessão de descobrir o que aconteceu com a filha, enquanto Laia Costa entrega a Larissa uma mistura convincente de fragilidade emocional e instinto maternal feroz. Verónica Falcón surge como Carmen, avó de Katie, trazendo ao filme uma dimensão espiritual, e May Calamawy adiciona peso à investigação paralela da detetive Dalia Zaki. Enquanto isso, Hayat Kamille está particularmente sinistra como a personagem creditada como "The Magician", responsável pelas ações que dão início ao horror.

As crianças também impressionam. Mesmo debaixo de maquiagem pesada, Natalie Grace consegue tornar Katie genuinamente inquietante, enquanto Billie Roy e Shylo Molina convencem como Maud e Sebastian, este preso entre o medo, a culpa e a percepção crescente de que sua irmã talvez não seja mais exatamente sua irmã. Até personagens menores, como o professor Bixler, de Mark Mitchinson, cumprem funções narrativas importantes ao fornecer peças do quebra-cabeça sobrenatural.

Claro, o filme não é perfeito. Com 2h14 de duração, algumas quedas de ritmo são inevitáveis. Há momentos em que Cronin claramente se apaixona demais pelo próprio clima e prolonga cenas além do necessário. O CGI do ato final atrapalha um pouco a imersão, especialmente considerando o quanto os efeitos práticos funcionam melhor no restante do longa. Mas mesmo esses excessos fazem parte do charme estranho de Maldição da Múmia.

Laia Costa interpreta Larissa no filme 'Maldição da Múmia'
Laia Costa em 'Maldição da Múmia' | Foto: © Warner Bros.


Este é um filme que leva o horror ao extremo sem pedir desculpas por isso. Um longa disposto a ser desagradável, exagerado e profundamente comprometido em transformar sofrimento em espetáculo grotesco. Diferente das releituras recentes da Blumhouse (lembre-se que O Homem Invisível virou thriller dramático sobre violência doméstica, e O Lobisomem virou desculpa para falar sobre masculinidade tóxica), Maldição da Múmia não tenta ser mais do que é. Quer apenas ser um filme de terror sobre uma múmia aterrorizando pessoas.

A ideia pode parecer inconcebível nos dias atuais, mas filmes de terror deveriam ter permissão para fazer isso às vezes.


Nota: 8/10


Título Original: The Mummy.

Título Nacional: Maldição da Múmia.

Gênero: Terror.

Produção: 2026.

Lançamento: 2026.

País: Irlanda, Estados Unidos da América, Espanha, Canadá.

Duração: 2 h 14 min.

Roteiro: Lee Cronin.

Direção: Lee Cronin.

Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Natalie Grace, Shylo Molina, Billie Roy, Veronica Falcón, Hayat Kamille, May Elghety, Emily Mitchell, Husam Chadat, Tim Seyfi, Mark Mitchinson, Gideon Emery, Dean Allen Williams, Gerald Papasian, Hanna Khogali, Jamie Doyle, Amr Atia, Jonny Everett.



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Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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