Produtor afirma que suas propostas foram rejeitadas e ironiza a tolerância à violência na TV americana, mas não à nudez.
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| 'Crystal Lake' | Foto: © Peacock TV LLC. All Rights Reserved. |
Aparentemente, em Crystal Lake, mostrar corpos sendo brutalmente mutilados é perfeitamente aceitável. Já exibir alguns seios a mais já é outra história. Brad Caleb Kane, produtor executivo da série prequel de Sexta-Feira 13, revelou que suas tentativas de incluir mais cenas desse tipo nos episódios foram rejeitadas. E, considerando o histórico da franquia que inspirou a produção, a notícia tem uma boa dose de ironia.
Em entrevista ao TheWrap, Kane confirmou que tentou convencer os responsáveis pela série a liberar mais nudez, mas acabou derrotado na discussão. “Eu tentei. É assim que são os Estados Unidos. Você pode mostrar violência para as crianças, mas Deus me livre que elas vejam alguns seios”, declarou o produtor. “Às vezes, você é voto vencido nessas coisas.”
Kane não revelou quem se opôs às suas propostas, nem se as cenas chegaram a ser incluídas nos roteiros ou foram filmadas e posteriormente cortadas. Portanto, ainda não sabemos se a resistência partiu da plataforma Peacock, dos produtores ou de outras pessoas envolvidas na decisão. O que sabemos é que, pelo menos nesse quesito, o entusiasmo do produtor não encontrou a mesma receptividade que as cenas de violência.
Isso é particularmente curioso quando falamos de Sexta-Feira 13. A franquia criada em 1980 ajudou a estabelecer uma combinação bastante conhecida no cinema slasher: adolescentes, acampamentos, sexo, drogas e um assassino disposto a transformar qualquer encontro romântico em uma péssima lembrança. Jason Voorhees pode ser o grande astro da série, mas a nudez também faz parte da tradição, ainda que nem sempre seja indispensável para a matança começar.
No filme original, Pamela Voorhees, interpretada por Betsy Palmer, revela que seu filho Jason se afogou em Crystal Lake enquanto os monitores responsáveis por cuidar dele estavam distraídos fazendo sexo. A partir daí, a associação entre comportamento irresponsável e mortes violentas tornou-se uma das marcas recorrentes da franquia. Nas continuações, adolescentes que deveriam estar aproveitando as férias frequentemente acabam descobrindo que há atividades de verão muito menos perigosas do que nadar pelado no lago mais próximo, ou namorar perto de um psicopata mascarado.
É claro que Sexta-Feira 13 nunca estabeleceu uma regra universal segundo a qual todo personagem sexualmente ativo precisa morrer. Mas a correlação está ali, suficientemente evidente para virar piada recorrente entre os fãs. Nesse contexto, uma série que apresenta algumas das cenas de violência mais brutais da televisão recente, mas encontra obstáculos para acrescentar nudez, parece ter estabelecido prioridades um tanto curiosas.
Vale dizer que Crystal Lake não é exatamente uma produção casta. A série preserva a situação que leva ao afogamento de Jason, envolvendo dois monitores distraídos por um encontro sexual, e apresenta relacionamentos, encontros amorosos sugeridos e personagens usando trajes de banho. O episódio 6, em particular, é bastante ousado nesses temas quando comparado aos demais. A questão levantada por Kane não é a ausência completa de sexo, mas a quantidade de nudez que ele gostaria de ter incluído e que acabou ficando pelo caminho.
Talvez nunca descubramos quais cenas o produtor queria incluir ou quem decidiu barrá-las. Mas, se existe algo que os fãs aprenderam ao longo de décadas acompanhando Jason, é que a censura pode até tentar controlar o que aparece na tela. Só não deveria se surpreender quando o público percebe a ironia.
Será que um dia veremos a "versão do produtor"?
Todos os oito episódios de Crystal Lake já estão disponíveis nos Estados Unidos através do Peacock, e no Brasil pelo serviço de streaming Universal+.
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