Matt Dillon interpreta serial killer no novo filme do polêmico diretor Lars Von Trier
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Matt Dillon em imagem do filme 'A Casa que Jack Construiu', de Lars von Trier |
Por Ed Walter
Em 2013 Lars Von Trier nos entregou o primeiro volume de Ninfomaníaca, drama erótico sobre uma mulher viciada em sexo que narra suas experiências para o homem que salvou sua vida. Agora o polêmico diretor dinamarquês está de volta com A Casa que Jack Construiu, drama de terror que faz uso de uma estrutura narrativa semelhante. Temos alguém que conta os detalhes de sua vida. Temos alguém que interrompe a história de vez em quando para refletir sobre o que está sendo revelado. A diferença é que o narrador aqui é um serial killer. E seu ouvinte é...bem, sua identidade é uma das surpresas do filme.
A história é ambientada na década de 1970. O personagem título é um serial killer altamente inteligente, egocêntrico, perfeccionista e com mania de limpeza. Ele considera seus crimes como obras de arte. Chega inclusive a criar um alter-ego: "Sr. Sofisticação", que é o nome com que passa a ser conhecido pela imprensa. Acompanhamos 12 anos de sua vida. Nesse período Jack alega ter matado mais de 60 pessoas. E o filme se concentra em cinco incidentes aleatórios, divididos em capítulos.
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Uma Thurman e Matt Dillon em imagem do filme 'A Casa que Jack Construiu', de Lars von Trier |
Trier conduz o filme da maneira mais crua possível. A fotografia é apática. Há muitas cenas filmadas com câmera na mão, recurso que já é tradição na carreira do diretor. Há momentos de violência gráfica extrema. A maioria causa um enorme desconforto. E alguns são de fato perturbadores. Entre uma atrocidade e outra, há discussões sobre diversos assuntos que incluem filosofia, arte, religião, engenharia, machismo. Há muitas alegorias, muitos simbolismos. E também muito humor-negro.
Matt Dillon está ótimo como Jack. É o papel mais forte de sua carreira desde Drugstore Cowboy (1989). O elenco de apoio não decepciona, mesmo com pouco tempo em tela. Os destaques ficam para Uma Thurman (Kill Bill), que faz uma participação hilária no início do filme. E para a maravilhosa Riley Keough (Noite de Lobos) no papel de Simple. Ela é exatamente o oposto de Jack, e é constantemente considerada por ele como alguém que não tem inteligência suficiente para apreciar as complexidades do mundo. Para mim, foi a personagem mais carismática do filme. E eu torci muito para que ela sobrevivesse.
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Riley Keough e Matt Dillon em imagem do filme 'A Casa que Jack Construiu', de Lars von Trier |
Sua experiência com A Casa que Jack Construiu vai depender primeiro de sua paciência, já que o filme é bem mais longo do que precisava; segundo de seu estômago, já que Trier não se intimida em chocar o público sempre que possível; e terceiro da maneira como você interpretar a insanidade que o aguarda. A obra é um estudo de personagem que explora a mente de um assassino? É uma metáfora sobre a carreira cinematográfica do próprio Lars Von Trier. Ou é simplesmente um filme ambicioso sobre um cara maluco que mata pessoas?
Enxerguei a história de Jack de uma maneira bem mais simples. E quando percebi, estava me questionando sobre a veracidade de seus relatos. Isso acabou sendo um exercício divertido. E até mesmo o final extravagante, que a princípio parecia ridículo, fez sentido para mim.
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O melhor: É um filme inteligente e aberto a interpretações.
O pior: Talvez não seja tão inteligente assim e eu tenha interpretado tudo errado.
Simple: Você é a 61, garota!
Título original: The House That Jack Built.
Gênero: Crime, drama, terror.
Produção: 2018.
Lançamento: 2018.
Pais: Dinamarca, França, Alemanha, Suécia.
Duração: 152 minutos.
Roteiro: Lars von Trier.
Direção: Lars von Trier.
Elenco: Matt Dillon, Riley Keough, Uma Thurman, Bruno Ganz, Siobhan Fallon Hogan, Sofie Gråbøl, Jeremy Davies, Jack McKenzie, Ed Speleers, David Bailie, Mathias Hjelm.
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