Crítica | A Casa que Jack Construiu (The House That Jack Built, 2018)

Matt Dillon interpreta serial killer no novo filme do polêmico diretor Lars Von Trier

Matt Dillon em imagem do filme 'A Casa que Jack Construiu', de Lars von Trier

Por Ed Walter

Em 2013 Lars Von Trier nos entregou o primeiro volume de Ninfomaníaca, drama erótico sobre uma mulher viciada em sexo que narra suas experiências para o homem que salvou sua vida. Agora o polêmico diretor dinamarquês está de volta com A Casa que Jack Construiu, drama de terror que faz uso de uma estrutura narrativa semelhante. Temos alguém que conta os detalhes de sua vida. Temos alguém que interrompe a história de vez em quando para refletir sobre o que está sendo revelado. A diferença é que o narrador aqui é um serial killer. E seu ouvinte é...bem, sua identidade é uma das surpresas do filme.

A história é ambientada na década de 1970. O personagem título é um serial killer altamente inteligente, egocêntrico, perfeccionista e com mania de limpeza. Ele considera seus crimes como obras de arte. Chega inclusive a criar um alter-ego: "Sr. Sofisticação", que é o nome com que passa a ser conhecido pela imprensa. Acompanhamos 12 anos de sua vida. Nesse período Jack alega ter matado mais de 60 pessoas. E o filme se concentra em cinco incidentes aleatórios, divididos em capítulos.

Uma Thurman e Matt Dillon em imagem do filme 'A Casa que Jack Construiu', de Lars von Trier

Trier conduz o filme da maneira mais crua possível. A fotografia é apática. Há muitas cenas filmadas com câmera na mão, recurso que já é tradição na carreira do diretor. Há momentos de violência gráfica extrema. A maioria causa um enorme desconforto. E alguns são de fato perturbadores. Entre uma atrocidade e outra, há discussões sobre diversos assuntos que incluem filosofia, arte, religião, engenharia, machismo. Há muitas alegorias, muitos simbolismos. E também muito humor-negro.

Matt Dillon está ótimo como Jack. É o papel mais forte de sua carreira desde Drugstore Cowboy (1989). O elenco de apoio não decepciona, mesmo com pouco tempo em tela. Os destaques ficam para Uma Thurman (Kill Bill), que faz uma participação hilária no início do filme. E para a maravilhosa Riley Keough (Noite de Lobos) no papel de Simple. Ela é exatamente o oposto de Jack, e é constantemente considerada por ele como alguém que não tem inteligência suficiente para apreciar as complexidades do mundo. Para mim, foi a personagem mais carismática do filme. E eu torci muito para que ela sobrevivesse.

Riley Keough e Matt Dillon em imagem do filme 'A Casa que Jack Construiu', de Lars von Trier

Sua experiência com A Casa que Jack Construiu vai depender primeiro de sua paciência, já que o filme é bem mais longo do que precisava; segundo de seu estômago, já que Trier não se intimida em chocar o público sempre que possível; e terceiro da maneira como você interpretar a insanidade que o aguarda. A obra é um estudo de personagem que explora a mente de um assassino? É uma metáfora sobre a carreira cinematográfica do próprio Lars Von Trier. Ou é simplesmente um filme ambicioso sobre um cara maluco que mata pessoas?

Enxerguei a história de Jack de uma maneira bem mais simples. E quando percebi, estava me questionando sobre a veracidade de seus relatos. Isso acabou sendo um exercício divertido. E até mesmo o final extravagante, que a princípio parecia ridículo, fez sentido para mim.

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O melhor: É um filme inteligente e aberto a interpretações.
O pior: Talvez não seja tão inteligente assim e eu tenha interpretado tudo errado.
Simple: Você é a 61, garota!

Título original: The House That Jack Built.
Gênero: Crime, drama, terror.
Produção: 2018.
Lançamento: 2018.
Pais: Dinamarca, França, Alemanha, Suécia.
Duração: 152 minutos.
Roteiro: Lars von Trier.
Direção: Lars von Trier.
Elenco: Matt Dillon, Riley Keough, Uma Thurman, Bruno Ganz, Siobhan Fallon Hogan, Sofie Gråbøl, Jeremy Davies, Jack McKenzie, Ed Speleers, David Bailie, Mathias Hjelm.

Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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