O ano de 2025 não foi especialmente generoso para os fãs de terror. A maioria dos filmes não passou do regular. Outra boa parte deles, com potencial para se destacar no gênero, acabou naufragando porque seus realizadores se concentraram demais na mensagem e se esqueceram do entretenimento. Mesmo com as opções limitadas, conseguimos reunir 5 lançamentos que se destacaram ao longo do ano, seja pela inventividade, pela execução técnica ou pela capacidade de provocar desconforto genuíno no espectador.
5 – Animais Perigosos (Dangerous Animals)
![]() |
| Arte do filme 'Animais Perigosos', de Sean Byrne |
Sean Byrne, realizador do pequeno clássico australiano Entes Queridos, retornou à direção em 2025 para contar a história de Zephyr, uma surfista sequestrada por um serial killer que mantém mulheres cativas em seu barco para, depois, oferecê-las como uma espécie de sacrifício a tubarões, criaturas que ele enxerga quase como divindades.
O que se segue é um jogo de gato e rato tenso, que entretém na maior parte do tempo, mesmo quando algumas situações repetitivas se acumulam em sua metade final. O filme aposta em suspense físico, atmosfera claustrofóbica e violência pontual, sempre bem dosada. Seu grande mérito está na direção segura de Byrne, que evita exageros e constrói o horror a partir da espera, do som e do uso preciso do espaço. Trata-se de um terror direto, funcional e surpreendentemente elegante dentro de sua proposta.
4 – A Hora do Mal (Weapons)
![]() |
| Imagem de 'A Hora do Mal'. Foto: © 2024 Warner Bros. Entertainment Inc. All Rights Reserved. |
O novo filme do diretor de Noites Brutais parte de uma ideia instigante e perturbadora: às 2h17 do que parecia ser uma madrugada comum, 17 crianças saem de suas casas, correm pelas ruas de uma pequena cidade e desaparecem na escuridão, sem deixar rastros.
A partir desse evento, o longa alterna entre os pontos de vista de diversos personagens, investigando a lenta corrosão da mente dos moradores diante do trauma, da culpa e do inexplicável. Há um apreço evidente pelo horror sugerido, pelos silêncios incômodos e pelas imagens que continuam a assombrar mesmo após o corte. É uma obra que confia na inteligência do espectador e recompensa a atenção com um dos clímax mais violentos e, paradoxalmente, mais divertidos do ano.
3 – A Meia-Irmã Feia (Den stygge stesøsteren / The Ugly Stepsister)
![]() |
| Arte do filme 'A Meia-Irmã Feia' |
Este drama com fartas doses de horror corporal nos transporta para um reino onde a beleza reina suprema, acompanhando a história de Elvira, uma das duas filhas da ambiciosa viúva Rebekka. O grande sonho de Elvira é se casar com o príncipe, e ela está disposta a recorrer a medidas extremas para atingir a perfeição física — sobretudo após descobrir que uma de suas rivais é sua meia-irmã inacreditavelmente bela, Agnes, também conhecida como Cinderella.
Dirigido pela estreante em longa-metragem Emilie Blichfeldt, A Meia-Irmã Feia abraça o grotesco com entusiasmo, entregando algumas das imagens mais deliciosamente indigestas do ano. É um filme provocador, por vezes cruel, que flerta com o absurdo sem perder o impacto emocional. Além disso, destaca-se como uma das adaptações mais fiéis ao espírito brutal do conto original de Cinderela, sendo, sem dúvida, uma das propostas mais corajosas e chocantes de 2025.
2 – Premonição 6: Laços de Sangue (Final Destination: Bloodlines)
![]() |
| Imagem do filme 'Premonição 6: Laços de Sangue' |
Na década de 1960, uma mulher prevê o desabamento de uma torre e salva da morte um grupo de pessoas. Décadas depois, sua neta começa a ter visões envolvendo a morte de seus próprios familiares. Sim, você está diante de um novo capítulo da icônica franquia Premonição. E, felizmente, esta nova sequência consegue revitalizar uma saga que parecia esgotada.
O filme respeita a mitologia estabelecida, mas encontra maneiras inventivas de brincar novamente com o acaso, o destino e a inevitabilidade da morte. As sequências de suspense são engenhosas, cruelmente criativas e encenadas com precisão quase cirúrgica. Mais do que apenas repetir a fórmula, o longa demonstra autoconsciência e domínio de seu legado, entregando um entretenimento brutal, eficiente e surpreendentemente sólido.
1 – Faça Ela Voltar (Bring Her Back)
![]() |
| Arte do filme 'Faça Ela Voltar'. Foto: A24 |
No topo da lista, Faça Ela Voltar, novo trabalho dos realizadores de Fale Comigo, se impõe como um dos filmes de terror mais intensos e emocionalmente devastadores do ano. A obra acompanha dois irmãos que passam a morar com um ex-assistente social em uma casa remota, combinando horror sobrenatural, drama e luto de maneira profundamente orgânica.
A direção de Danny Michael Philippou é sensível e implacável ao mesmo tempo, conduzindo o espectador por uma espiral de dor, culpa e transgressão, sempre explorando até onde alguém é capaz de ir para negar a perda. Com atuações marcantes e imagens que perturbam não apenas pelo choque, mas pela carga emocional que carregam, o filme reafirma que o terror pode nascer do amor distorcido, do desespero humano e da recusa em aceitar o fim.





