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'Soulm8te' (2026) Review: 'Atração Fatal' encontra 'M3GAN' em um suspense tecnológico deliciosamente cafona

Filme da Blumhouse e da Atomic Monster aposta em sexo, violência, uma androide ciumenta e clichês dos anos 1990 para divertir sem maiores pretensões.


A androide Sara (Lily Sullivan) observa atrás da porta no filme 'Soulm8te'
'Soulm8te' Foto: © Universal Studios


Soulm8te, thriller de ficção científica ambientado no universo de M3GAN, é um dos filmes mais surpreendentes a que assisti este ano. Não porque seja particularmente inovador, revolucionário ou interessado em expandir os limites do gênero, mas justamente pelo motivo oposto: em meio a tantos lançamentos preocupados em apresentar complexidade temática, mensagens sociais e personagens com um catálogo inteiro de traumas psicológicos, o longa de Kate Dolan parece ter redescoberto uma fórmula mágica: contar uma história simples, abraçar clichês e deixar o espectador se divertir.

Espécie de Atração Fatal da era pós-inteligência artificial, o filme acompanha David (David Rysdahl), programador de uma grande empresa de tecnologia que passou o último ano trabalhando em casa enquanto tenta lidar com a perda da esposa. Preocupado com o estado emocional do funcionário (ou talvez simplesmente interessado em transformar o luto alheio em uma oportunidade comercial), seu chefe lhe oferece a chance de testar dois novos produtos da Ultima Robotix: um chatbot premiado capaz de funcionar como amiga virtual personalizada e a Soulm8te, uma androide sexy e sorridente projetada para oferecer companhia a seres humanos solitários.


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Bonita e atenciosa, a androide (que David batiza de Sara) parece ter saído diretamente de um catálogo de fantasias masculinas produzido por alguém que nunca precisou lavar a própria roupa. Ela dá conselhos úteis, prepara biscoitos irresistíveis e até limpa a casa, embora às vezes se atrapalhe um pouco com o aspirador de pó. Para completar, está sempre disponível para encontros ardentes. É praticamente a esposa dos sonhos, desde que você ignore o pequeno detalhe de que ela provavelmente tem mais poder de processamento do que o seu computador.

Lily Sullivan interpreta a androide Sara em 'Soulm8te'
'Soulm8te' Foto: © Universal Studios


Infelizmente, Sara também se revela uma androide curiosa, capaz de aprender observando o mundo ao redor — inclusive os comerciais, filmes noir e programas de auditório que assiste na TV. Some a isso algumas alterações que David faz em seu código para torná-la mais humana e temos todos os ingredientes necessários para um desastre doméstico. Afinal, se já é difícil conviver com uma pessoa que absorve tudo o que vê na TV, imagine uma que também consegue atualizar a própria personalidade.

À exceção dos minutos iniciais, que estabelecem o drama de David, Soulm8te apresenta um ritmo bastante fluido. Dolan, que também é corroteirista, não parece interessada em transformar cada acontecimento em uma oportunidade para longos debates filosóficos sobre a natureza da consciência, o futuro da humanidade ou os perigos da dependência tecnológica. A história avança, os problemas se acumulam e Sara começa a demonstrar comportamentos que fariam qualquer terapeuta pedir férias.


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Nos raros momentos em que o filme tenta dizer algo (empoderamento feminino, a falsa intimidade que a tecnologia pode proporcionar a pessoas solitárias, a obsessão masculina pela mulher perfeita), faz isso de maneira tão apressada que a intenção às vezes passa despercebida ou acaba provocando risadas involuntárias. Considerando a quantidade de thrillers que interrompem suas histórias para explicar ao público o que ele deveria estar pensando, confesso que achei a experiência bastante refrescante.

Lily Sullivan e David Rysdahl como Sara e David no filme 'Soulm8te'
'Soulm8te' Foto: © Universal Studios


David Rysdahl interpreta um protagonista genérico, mas inesperadamente simpático. Sua transformação de viúvo fascinado pela companheira artificial em homem desesperado para encontrar o botão de desligar é um tanto brusca. Mas, a julgar pelo ritmo da narrativa, a diretora não está muito interessada em perder tempo com transições psicológicas elaboradas.

Claudia Doumit interpreta Aubrey, colega de trabalho de David e dona de uma paixão secreta por ele. A personagem acrescenta ao enredo um elemento familiar aos apreciadores do gênero: a mulher que se aproxima do protagonista sem perceber que está entrando no território de uma rival muito mais ciumenta do que qualquer ex-namorada ressentida. Os paralelos com o recente Obsessão são evidentes, e é fácil imaginar que a pobre Aubrey preferiria ter continuado solteira a se envolver nesse triângulo amoroso de alta tecnologia.

A grande atração, porém, é Sara, interpretada por Lily Sullivan. No início, a androide parece limitada pelas restrições de sua programação, comportando-se como uma boneca sofisticada que ainda não descobriu para que servem todas as funções disponíveis. Mas quando seus bloqueios de segurança são removidos, Sara finalmente começa a mostrar a que veio. Sullivan parece se divertir compondo uma personagem que alterna entre a ingenuidade artificial, a sensualidade exagerada e as caras e bocas de uma femme fatale saída diretamente de um thriller erótico lançado em VHS.

A androide Sara (Lily Sullivan) mostra seu lado de femme fatale no filme 'Soulm8te'
'Soulm8te' Foto: © Universal Studios


Em um dos bons momentos do filme, ela solta a voz em um karaokê ao som de "Lovefool", do The Cardigans. Em outro, explora o mundo com uma curiosidade e empolgação que evocam Sil, a criatura híbrida de humana e alienígena interpretada por Natasha Henstridge em A Experiência. Bem, talvez a semelhança física entre as duas atrizes tenha influenciado minha comparação, mas não deixa de ser curioso ver outra beldade descobrir os prazeres e as complicações da existência humana.

Quando Sara vê seu romance ameaçado, ela abandona a condição de companheira perfeita e encarna Alex Forrest. É nesse ponto que Soulm8te encontra sua verdadeira vocação. Em vez de tentar disfarçar suas limitações com uma embalagem de prestígio, o longa abraça a estética exagerada dos thrillers dos anos 1990 e acrescenta uma generosa dose daquela energia trash que tornou tantos filmes de terror B irresistíveis. Um bom exemplo disso é a apresentação de vídeo que culmina em um momento tão trágico e, ao mesmo tempo, tão grotescamente tosco que resistir ao riso se torna praticamente impossível.

O filme apresenta mortes, fraturas expostas, violência gráfica e membros masculinos esmagados. As cenas de sexo, por sua vez, oscilam entre o erótico e o constrangedor com uma velocidade impressionante. Em determinados momentos, não fica muito claro se as cenas pretendem ser genuinamente eróticas ou apenas provocar uma gargalhada nervosa. O que sei é que é difícil acusar o filme de ser monótono quando ele consegue transformar uma relação entre homem e máquina em uma sucessão tão improvável de situações embaraçosas e potencialmente fatais.

'Soulm8te' Foto: © Universal Studios


Você pode argumentar que Soulm8te é bobo, exagerado e ocasionalmente ridículo. Pode dizer que seus personagens não são modelos de profundidade psicológica, que algumas decisões carecem de lógica, que os confrontos físicos não impressionam pela coreografia, e que os efeitos especiais apresentam resultados irregulares. Eu concordo com tudo isso.

Mas o filme de Kate Dolan possui uma qualidade que não deveria ser subestimada: sabe proporcionar diversão. Não exige que o espectador admire sua profundidade, decifre metáforas ou termine a sessão preocupado com o futuro da civilização. Basta aceitar a proposta, deixar o bom senso na porta e acompanhar a escalada de loucura de uma androide que talvez precise de uma atualização de software, mas certamente não de um namorado.

Soulm8te é um guilty pleasure daqueles que nos lembram por que, às vezes, tudo o que queremos de um filme é uma mulher perigosamente ciumenta, algumas mortes criativas e uma quantidade saudável de cafonice. Se a intenção era homenagear uma época em que o erotismo, o suspense e os barracos familiares andavam de mãos dadas, missão cumprida. E se a inteligência artificial realmente decidir dominar o mundo, espero que pelo menos tenha o bom gosto de fazer isso com uma boa trilha sonora dos anos 1990.


Nota: 7/10


Título Original: Soulm8te.

Título Nacional: Soulm8te.

Gênero: Ficção científica, suspense, terror.

Produção: 2026.

Lançamento: 2026.

País: Estados Unidos da América.

Duração: 1 h 39 min.

História: James Wan, Ingrid Bisu, Rafael Jordan.

Roteiro: Rafael Jordan, Kate Dolan.

Direção: Kate Dolan.

Elenco: Lily Sullivan, David Rysdahl, Claudia Doumit, Arty Froushan, Elijah Cook, Mara Huf, Sydney Blackburn, Isabelle Bonfrer, Emma Ramos, Oliver Cooper, Nicholas Lane, Hannah Mamalis, Gary Hetzler, Jordanne Jones.



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Ed Walter

Criador da 'Sangue Tipo B' e escritor na comunidade de filmes de terror desde 2017. Apaixonado por filmes de terror dos anos 70 e 80. Joga 'Skyrim' até hoje.

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